Presidenciais

Sindicalistas apoiam Manuel Alegre

por Adriano Nobre, com Ana Kotowicz, Publicado em 16 de Março de 2010   
Dezoito dirigentes sindicais apoiam a candidatura de Alegre. A CGTP afasta-se da iniciativa. O candidato diz que é o reconhecimento do seu "combate político"
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A candidatura presidencial de Manuel Alegre recebeu ontem o apoio formal de 18 dirigentes e delegados sindicais, entre os quais António Chora, da comissão de trabalhadores da Autoeuropa, e Carlos Trindade, da comissão executiva da CGTP. "Um apoio significativo de pessoas com prestígio e com um papel relevante na acção pelos direitos dos cidadãos", reagiu Manuel Alegre em declarações ao i.

"É um reconhecimento que sublinha o conteúdo do meu combate político nos últimos anos e as posições que tive pelos direitos dos trabalhadores", resume, sem esconder a ideia de que "é um sinal muito importante" de união da esquerda em torno do seu projecto presidencial.

O histórico socialista recusa, no entanto, que esta manifestação de apoio possa traduzir uma aproximação do PCP à sua candidatura. "São sindicalistas de diferentes áreas da esquerda e não considero que isto possa ser interpretado dessa forma. Até porque a minha candidatura é independente e suprapartidária", reitera.

O PCP continua indisponível para comentar a posição do partido em relação às presidenciais: considera prematuro antecipar se apresenta candidato próprio ou se apoia alguma candidatura de esquerda. No entanto, Alegre reitera que "não é pelo PCP que a esquerda será derrotada" nas presidenciais.

"Estou tranquilo em relação aos apoios partidários", garante. E estende essa convicção à ausência de posição formal do PS quanto à sua candidatura: "Cada coisa a seu tempo. Mas as pessoas também não podem esquecer-se que já tive o apoio de alguns grandes dirigentes do PS, como Carlos César, Francisco Assis, ou os presidentes das confederações de Lisboa e Algarve", sublinha.

CGTP rejeita apoio A divulgação da lista dos 18 delegados e dirigentes sindicais que ontem formalizaram o apoio à candidatura de Alegre revela que a maioria dos apoiantes pertence à CGTP. Porém, o secretário--geral da organização sindical, Carvalho da Silva, garante que "esse assunto nunca foi discutido internamente dentro da CGTP". "Nunca tivemos nenhuma reunião. Não tenho conhecimento desses apoios", revelou o dirigente ao i.

Uma fonte da comissão executiva da CGTP esclareceu ainda ao i que a entidade "nunca apoiou nem apoia candidatos, presidenciais ou outros". "Até à data, não foi sequer discutido o tema das presidenciais, nem tal está previsto para breve", explicou a mesma fonte, remetendo o possível debate interno sobre o tema para "mais perto da data das eleições". No entanto, é quase seguro que, no limite, a comissão executiva do sindicato "analisará propostas e pronunciar-se-á sobre elas, nunca apoiando este ou aquele candidato".

Embora vários elementos desta lista de apoio a Manuel Alegre venham da ala comunista da CGTP, o socialista Carlos Trindade, que nas últimas presidenciais esteve ao lado de Mário Soares, garante que "estes apoios são a nível individual". Aliás, Trindade assegura mesmo que esta declaração de apoio não pode ser interpretada como um sinal de divisões internas na Intersindical: até porque "a CGTP não pode apoiar ninguém".

"Nas últimas eleições presidenciais houve na CGTP quem apoiasse o Manuel Alegre, o Mário Soares, o Jerónimo de Sousa e o Francisco Louçã, consoante as suas inclinações políticas", exemplificou Carlos Trindade.


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