PSD
Alexandre Relvas demite-se por carta e avisa: PSD tem de se distinguir do PS
Publicado em 16 de Março de 2010
Carta de demissão do presidente do Instituto Sá Carneiro diz ser fundamental saber "o que é que o PSD faria diferente" do PS no governo. Leia ao lado a versão integral da carta
Alexandre Relvas demite-se da presidência do Instituto Francisco Sá Carneiro (IFSC) duas semanas antes da eleição de um novo líder social-democrata, com aviso prévio a Manuela Ferreira Leite e a Francisco Pinto Balsemão. Relvas explica que a demissão da direcção do IFSC é "a atitude eticamente mais correcta", para "que a nova direcção do PSD tenha total liberdade de escolha." Na carta dirigida aos colaboradores do instituto e à direcção do partido, a que o i teve acesso, avisa ser fundamental mostrar as diferenças entre o PSD e o PS. "Sentimos como fundamental procurar dar uma resposta clara a uma questão dos portugueses: o que é que o PSD faria diferente?" - escreve o antigo director de campanha do Presidente da República.
Em declarações ao i, Relvas garante que irá "avaliar se existem condições para continuar o trabalho do IPSD", seja no próprio instituto ou na sociedade civil. Para já, aponta para as conclusões que retirou da sua passagem pela presidência do IPSD e se podem ler na carta que dirigiu aos colaboradores: "Procurámos contribuir para mostrar que há diferenças profundas com o PS relativamente à visão do Estado e da sociedade civil." A mensagem pode ser lida como um recado aos três principais candidatos à liderança do PSD.
"É preciso salvar o país deste Estado", diz Relvas. "Um Estado que apesar de ineficiente, falhando em áreas fundamentais da sua intervenção, como é o caso da justiça, absorve mais de 50% dos nossos recursos" e "obriga-nos a pagar 24% mais de impostos do que nos outros países europeus". O tom crítico continua: "Portugal é hoje um país que trata mal os seus filhos. Não percebemos que não tenha sido uma prioridade socialista dar resposta aos 21% de jovens com menos de 17 anos que são pobres."
Alexandre Relvas considera desastroso o Programa de Estabilidade e Crescimento: "Este nunca seria o PEC de um governo PSD. Com este PEC vamos ter mais uma década perdida." Mais: "É para nós claro que o reequilíbrio orçamental deve ser conseguido através da redução da despesa e não através do aumento da carga e do esforço fiscal."
O esforço que o presidente do IPSD exige no sentido da distinção com o PS, não se reduz à economia e às finanças: "Procurámos também contribuir para mostrar que às propostas fracturantes do PS e à tentativa de nos fazer evoluir legalmente em termos de costumes, a reboque do Bloco de Esquerda, o PSD contrapõe a valorização da família." É fundamental, acrescenta Relvas, "que Portugal passe a ter uma política de natalidade, a qual tem caído drasticamente."
Leia a carta na íntegra em www.ionline.pt
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