Crime
Jovem agente da PSP dispara a matar em perseguição automóvel
Publicado em 16 de Março de 2010
Agente da esquadra do Calvário, em Lisboa, pode ser acusado de homicídio involuntário. A vítima residia em Chelas e era conhecido por MC Snake
Já foi aberto um inquérito na Polícia Judiciária (PJ), dirigido pelo Ministério Público, e um processo disciplinar ao agente da 4ª Divisão da PSP de Lisboa, que esteve envolvido na morte de um homem, ontem de madrugada - cerca das 5h00 -, junto à Radial de Benfica, em Lisboa.
Depois de ter estado a ser ouvido na PJ, o agente regressou à esquadra a que pertence e, segundo os primeiros relatos, pode vir a ser acusado de homicídio involuntário por ter disparado e, alegadamente, provocado a morte a um homem com cerca de 30 anos.
Fonte da PSP disse ao i que junto às Docas de Santo Amaro, em Alcântara, Lisboa, estava montada uma pequena operação stop. Um condutor, quando avistou os agentes, inverteu a marcha e fugiu em direcção ao Eixo Norte-Sul e ainda chegou a entrar na Radial de Benfica em direcção ao IC-19. Os agentes encetaram uma perseguição e, segundo as primeiras informações, terá disparado pelo menos um tiro, atingindo o homem nas costas. Ainda segundo a mesma fonte, o homem que foi baleado entrou na Radial de Benfica e tentou escapar aos agentes da PSP, chegando mesmo a fazer marcha-atrás na via que tem sentido único.
MC Snake Fonte próxima garantiu ao i que a vítima, Nuno, conhecido por Puto Snake - MC Snake na versão Rap -, morava em Chelas, Lisboa, junto ao recinto onde costuma ficar instalado o Rock in Rio. O homem, com cerca de 30 anos, pertencia a um grupo de rap e chegou a cantar com o rapper Sam the Kid. A mesma fonte referiu que Puto Snake e o seu irmão mais velho, Paulo - também com a alcunha Snake - são antigos conhecidos das autoridades. Puto Snake tinha sido detido no final dos anos 90 por suspeitas de tráfico de droga. Os dois irmãos - Paulo e Nuno, com apelido Manaças, são, segundo a PSP, referenciados há anos por tráfico de estupefacientes. O jovem que morreu já tinha sido detido anteriormente numa operação stop.
Jovem agente O agente da PSP Lisboa, que ainda não completou 30 anos de idade, foi constituído arguido e teve de prestar termo de identidade e residência. O agente, considerado inexperiente, há pouco tempo na corporação, pode vir a ser acusado de homicídio involuntário. O projéctil que matou o homem de 30 anos terá ficado alojado nas costas da vítima, o que pode contribuir para o acusar de negligência no uso da arma de fogo durante a perseguição.
Uma fonte sindical disse ao i que a tentativa de ludibriar a PSP numa operação stop não é motivo suficiente para encetar uma perseguição, sobretudo se houver risco de vida para os envolvidos. Todavia, lamentou a falta de formação dos agentes da PSP, antes de se verem confrontados com situações semelhantes.
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