Tailândia: governo garante que não cai e reforça segurança na rua
por Nelma Viana, Publicado em 16 de Março de 2010
Primeiro-ministro, Vejjajiva, recusa ultimato dos "vermelhos" e promete que vai continuar a governar
O governo tailandês pode estar por um fio. "Fora Abshiti! Fora elite!" Os gritos eram dos cerca de 100 mil camisas vermelhas em protesto nas ruas de Banguecoque, pela dissolução do parlamento tailandês e a favor da antecipação das eleições legislativas.
Na noite de domingo, os apoiantes do ex-primeiro-ministro (actualmente exilado) Thaksin Shinawatra, organizados no grupo Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, lançaram um ultimato ao governo a exigir a demissão de Abshiti Vejjajiva.
Terminado o prazo de 24 horas, ao meio-dia de ontem, o primeiro-ministro recusou terminantemente cessar funções e sublinhou que o governo tailandês seguiu todas as regras da democracia e que as exigências dos "vermelhos" contrariam esse mesmo princípio: "O nosso objectivo é resolver os problemas do país, e portanto podemos garantir que não haverá dissolução parlamentar e o governo vai continuar a trabalhar em benefício da nação", concluiu Vejjajiva durante uma entrevista a um canal local. Quase em simultâneo, a explosão de duas granadas num quartel em Banguecoque feriu gravemente dois soldados. As autoridades não conseguiram determinar a autoria destes atentados nem as suas motivações.
Os participantes na Marcha Vermelha mantêm as exigências e já deram início a nova onda de protestos em "locais estratégicos da capital", de forma a paralisar as actividades executivas e dos organismos oficiais. "Ouvimos a resposta de Abhisit. Para já mantemos o plano inicial, mas estamos a decidir o que fazer em seguida", gritava o líder dos manifestantes Veera Musikapong dirigindo-se à multidão. Passavam poucos minutos do meio-dia. Os protestos antigoverno começaram na passada sexta-feira e, apesar de estarem a decorrer de forma ordeira, foram mobilizados para a capital mais de 50 mil homens.
Os tailandeses ainda guardam na memória um episódio semelhante em Abril de 2009, quando os camisas vermelhas levaram a cabo uma manifestação com o objectivo de afastar o actual primeiro ministro e trazer Shinawatra de regresso ao país. Os protestos acabaram por provocar dois mortos e mais de 120 feridos graves.
Mas a luta não é de agora. Desde que Vejjajiva subiu ao poder, em 2008, duas forças distintas confrontam-se pelos direitos do país, tomando as rédeas da crise política que opõe, de um lado, militares, monárquicos e elite urbana - envergam a cor amarela e são apoiantes assumidos do actual chefe de governo - e, do outro, seguidores de Taksin, identificados pela cor vermelha e oriundos principalmente das classes trabalhadoras e rurais e que se sentem alienados das políticas sociais do governo.
No entanto, dizem os analistas que a confiança governativa de Abhisit não tem grande razão de ser e as sondagens apontam para uma clara vantagem de Shinawatra caso se realizassem novas eleições legislativas no país.
Férias na Tailândia A poucas semanas da Páscoa, "a Tailândia não é um destino tão procurado como Brasil ou Caraíbas", garante fonte da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) ao i. É impossível determinar o número de portugueses de férias no país, mas sabe-se que "as ligações aéreas para Banguecoque são frequentes". Que fazer quando umas férias são assombradas por uma onda de manifestações? "Simples. Contactar a agência de viagens e antecipar a partida. Isso ou ir directamente para Macau", adiantou a mesma fonte. De lá, continua, "é mais fácil regressar à Europa. É uma questão de um dia ou dois".
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