Europa dividida. Ainda não há plano de salvação para a Grécia

por Nuno Aguiar, Publicado em 16 de Março de 2010   
Ministros das Finanças não chegam a acordo sobre como ajudar o governo grego. Criação de Fundo Monetário Europeu continua em cima da mesa
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Já começa a ser difícil contar o número de actos da tragédia grega, e o cair do pano parece estar ainda longe. Os ministros das Finanças da zona euro não chegaram ontem a acordo quanto à ajuda a dar ao Estado grego, do qual se teme não ter capacidade para controlar sozinho as contas públicas.

Neste momento existem duas opções principais em cima da mesa: empréstimos directos à Grécia por parte de Estados ou garantias estatais que permitam criar um mecanismo europeu de concessão de crédito financiado através da emissão de obrigações.

Chegou a especular-se que desta reunião sairia um plano de salvação, mas cedo se percebeu que as divisões entre Estados não iriam permitir qualquer tipo de acordo. De um lado da barricada estão os países mediterrânicos, a Comissão Europeia e a própria Grécia que temem que o governo helénico não tenha capacidade para resolver o grave problema de endividamento do país sozinho. Do outro lado, França e Alemanha - os suspeitos do costume que, caso haja um plano de salvação, irão pagar a maior parte da factura.

João Duque, presidente do ISEG destaca que, qualquer que seja a medida aprovada, não haverá almoços grátis. "Vai haver uma contrapartida qualquer. Querem dar a ajuda, mas também cobrá--la", explica ao i. "O que está a acontecer é um caso exemplar que deve ser acompanhado, pois poderá ser aplicado no futuro a Portugal."

Este impasse pode ser também justificado pela melhoria da percepção internacional da Grécia. O plano de austeridade aprovado pelo governo grego parece ter acalmado as dúvidas dos mercados e afastou o fantasma da insolvência. Apesar de a contestação social continuar na Grécia (três greves em menos de um mês), o executivo está determinado em avançar com medidas drásticas com o objectivo de cortar o défice dos actuais 12,7% para menos de 3% em quatro anos.

FME Nos corredores continua a falar-se da criação de um Fundo Monetário Europeu (FME). França e Alemanha já admitiram serem favoráveis à sua criação e, mesmo que já não sirva para resolver a crise grega, pode ser útil caso outros países se deparem com as mesmas dificuldades no futuro.

Durão Barroso não lhe deu nome, mas revelou que a Comissão Europeia "está pronta para propor um enquadramento europeu de assistência coordenada, que necessitará do aval dos países-membros da Zona Euro".

Resta saber como é que a nova instituição iria coordenar a sua acção com organismos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu, podendo até entrar em conflito com o Tratado de Lisboa. "É uma ideia interessante que pode trazer algumas coisas positivas para a Europa", afirma João Duque. A reunião dos ministros das Finanças continua hoje em Bruxelas.


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