Investimento
Xeque do Barém chama investidores portugueses: "Estão à espera do quê?"
Publicado em 16 de Março de 2010
O presidente da Euro-Arabian Business Center está em Portugal à procura de investidores
"Só se vai à pesca de cana." Esta é uma das frases-chaves da entrevista que o Xeque Khalifa Al Mannai concedeu ao i. Quer atrair investidores portugueses para o pequeno Estado ligado por uma ponte à Arábia Saudita. "É um país muito fácil para negócios", repetiu dezenas de vezes antes de deixar o recado: "Ou vão rápido ou outros ficam com as oportunidades."
Com as comparações entre Portugal e Grécia e as críticas das agências de rating, porquê a escolha de Portugal?
As relações com Portugal não são de agora e são muito fortes. Portugal tem várias empresas nos sectores que procuramos, mas que ainda não estão activas na região. Enquanto líder da Euro-Arabian venho cá para construir pontes entre Portugal e o Médio Oriente. Quero dizer às empresas portuguesas aquilo que precisamos no Barém. Chegou a hora de lançar a ponte entre Portugal e a região.
Em que sectores existem mais oportunidades para os portugueses?
Sobretudo na água. É um recurso cada vez mais valioso. Queremos ser um país verde, ecológico e como não temos rios temos de apostar na reutilização, logo há muitas oportunidades. Além disso, a energia, construção, imobiliário, turismo... Na Europa há um desconhecimento sobre o Barém. Sabia que pode instalar uma fábrica, ou outra actividade, e não pagar impostos? Se comprar terrenos, edifícios, não há qualquer restrição... E se quiser repatriar dinheiro não há taxas. É um país muito fácil.
É exigido ter parceiros locais?
Pode apostar em parcerias ou ir sozinho. Mas há alguns passos a dar primeiro, convém não aparecer do nada. Se quiser concorrer a projectos do governo, será bem-vindo, mas tem de ser pré-qualificado. Tem de mostrar o que fez, quem é... E aí começará a receber convites. É muito fácil. Há quem pense em dar o salto mas depois não sabe com quem falar. Nós estamos cá para isso.
Há privatizações a decorrer?
Há uma lista grande de projectos para avançar, pequenos e grandes. Mas só se pode concorrer se conseguir a pré-qualificação, se for conhecido. As pessoas precisam de saber com quem lidam. Estou aqui para mostrar às empresas as oportunidades e os passos a dar. Contactem-me, falem connosco. Estou aqui para ajudar.
A crise no Dubai afectou a região?
Lamentamos o que se passou, mas vai resolver-se. Foi algo local, o Dubai estava muito dependente de investimentos estrangeiros e nós dependemos apenas de nós próprios. Temos várias fontes de receitas, como as maiores refinarias da região e um sector bancário forte.
O Barém não será um mercado muito pequeno para a internacionalização?
É muito mais do que um país. Estando no Barém vai estar ligado a todo o Médio Oriente. Há muita proximidade com as economias da região. A localização é muito boa, a liberdade é total.
Que resultados espera desta visita?
Depende muito da atitude das empresas. Podem avançar no mercado agora. Os portões estão abertos. Vou ficar cá mais dois dias, basta contactarem-me por e-mail. Olhe, publique à vontade: mimco@batelco.com.bh.
Só têm de se mexer rápido?
Sim, claro. É como em tudo: Se não apanharem o mercado, outros apanham. É muito fácil partir do Barém para toda a região. Ganhar nome, ficar conhecido. Estar no Barém serve de montra para toda a região. Muitas reuniões de negócios da região se desenrolam ali. É um país livre, onde se pode beber álcool, ir a discotecas, logo é um ponto de encontro empresarial muito importante (risos).
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