O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel afirmou hoje que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) não é credível porque falha em relação à divida externa, em relação ao crescimento da economia e à criação de emprego.
“Falha na linha do financiamento externo, da dívida externa, falha na linha do crescimento - este plano é só de estabilidade, não tem nenhuma medida para o crescimento”, disse.
“Nós (PSD) propusemos uma nova redistribuição dos fundos comunitários, retirando-os de projetos como o TGV e entregando-os para apoio às empresas, para criar esse dinamismo de crescimento, às empresas que exportam, às empresas que concorrem com as importações”, acrescentou Paulo Rangel.
Confrontado com as declarações do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que hoje considerou o PEC “credível”, o candidato à liderança do PSD começou por dizer que o problema começa logo no que disse ser a “falta de credibilidade do governo português”.
“O governo Português começa por dizer que não há aumento de impostos, quando há aumento de impostos. A questão não está só no PEC, também está em quem é o autor do PEC e a forma como fala dele", disse.
“Há aspetos que são muito negativos: a previsão do desemprego está claramente abaixo daquilo que vai acontecer, o que significa que vai haver mais gastos sociais do que aquilo que o governo está a prever", afirmou.
Outro aspeto muito importante, segundo Paulo Rangel, é não haver nenhuma redução da dívida externa.
“Não há qualquer tentativa de limitar o endividamento externo, que poderia ser feito com a suspensão do TGV para Madrid, ou com a suspensão do aeroporto, o que vai aumentar muito o financiamento externo e, portanto, a dívida externa", disse aos jornalistas o candidato à liderança do PSD.
“O PEC, quando muito, serve para reduzir o défice, mas em termos de crescimento é medíocre o que está estimado, e não há nenhuma medida para estimular o crescimento da economia”, frisou, defendendo que o aumento de impostos vai ter um efeito contrário, aumentando o desemprego e prejudicando o crescimento económico.
O candidato social-democrata, que falava aos jornalistas durante uma visita ao porto de pesca de Sesimbra, aproveitou ainda para apontar o setor das pescas, dos transportes marítimos e de outras atividades ligadas ao mar, como uma das áreas com maior potencial para o crescimento da economia portuguesa.
Questionado pelos jornalistas sobre a proibição de os militantes social democratas criticarem o líder do partido 60 dias antes das eleições, disposição que foi aprovada no congresso do passado fim de semana, Paulo Rangel disse que se trata de uma medida que pode ser revogada já no próximo congresso do PSD.
“Aquilo que me parece é que temos a oportunidade de revogarmos isto já no próximo congresso que será feito em abril, para eleger os corpos dirigentes. Talvez se consiga introduzir isso na ordem de trabalhos e submeter à revogação”, disse, assegurando que votaria sempre contra uma medida deste género.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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