Primeiro Plano

Rumo à vitória

por Jaime Nogueira Pinto, Publicado em 16 de Março de 2010   
Quem vai ganhar na corrida à liderança do PSD? Não sei, mas sei que tudo terá a ver com a capacidade dos notáveis de mobilizar as suas hostes
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O congresso do PSD não trouxe surpresas. Nem se esperava que trouxesse. Mas, em tempo de vacas escanzeladas e trapalhadas jurídico-político-mediáticas do governo, foi uma oportunidade para a oposição de dizer que existe e mexe, para além das suas próprias guerras.

Quanto aos candidatos à chefia também não houve grandes novidades. Passos Coelho está nesta corrida há muito tempo, reúne apoios de orientação e qualidade diversas, mas continua a ter dificuldade em transmitir uma ideia de alternativa estratégica - o que é a dificuldade original do PSD em relação ao PS. Rangel é ideologicamente mais definido, tem cultura política e conseguiu equilibrar razão e paixão no seu discurso.

E depois? Não sei o suficiente de PSD para saber o que vai no recôndito das almas dos militantes. Alguns entendidos mais cínicos dizem-me que, nas directas - nestas e doutros partidos - tudo tem muito a ver com a capacidade dos notáveis (ou caciques) locais de inscreverem ou mobilizarem a tempo "fornadas" de eleitores. Isto implica proceder à regularização de quotas e outras acções espiritualmente menos elevadas mas necessárias.

Noutras épocas eleitorais - na monarquia constitucional e na primeira república - já era assim. Os caciques serviam o carneiro com batatas à sua clientela e esta, bem comida e bem bebida, ia votar bem, isto é, onde o chefe mandava. Na república democrática - tão querida dos pais fundadores do nosso regime -, quando não chegava o carneiro com batatas os carbonários e outros revolucionários civis chegavam da cidade com a maleta das bombas e o revólver à cintura, e invadiam as assembleias de voto conservadoras. Depois, tranquilamente, substituíam as urnas ou o seu conteúdo. Assim ganhavam sempre.

Hoje os costumes são mais brandos e os processos de persuasão mais discretos. Por respeito pelos eleitores e pelos militantes, ninguém lhes oferece almoços grátis ou passeios de carroça ou camioneta; quando muito, alguns autarcas dão electrodomésticos aos munícipes.

Hoje, a par com os progressos da instrução e da sociedade de informação, a persuasão faz-se através de jornalistas, analistas e empresários "amigos". Ninguém vai coagir ninguém directamente, mas os persuasores invisíveis vão encarregar-se de criar - a par da boa imagem do seu candidato - a má do "outro": teorias da conspiração, ligações inconfessáveis à plutocracia, vícios e maus costumes. No quase anonimato da blogosfera e do anedotário circulante vão sobrar tentativas de "assassinato moral" - um desporto muito querido dos locais, pois permite matar anonimamente sem ir para a cadeia.

Vai ser assim. É assim. Mesmo assim, que ganhe o melhor!

Professor universitário

Escreve à terça-feira


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