Futebol internacional
Manchester United. Está aberta a guerra contra o ditador Glazer - vídeo
por Rui Catalão, Publicado em 16 de Março de 2010
Adeptos estão revoltados com a gestão do milionário norte-americano. Glazer responde com medidas repressivas
Quando os adeptos de um clube começam a queimar bonecos com a cara do proprietário é sinal de que alguma coisa não está bem. Na verdade, essa é apenas uma das muitas coisas que têm acontecido no Manchester United. Malcolm Glazer entrou pé ante pé na gestão do clube, em 2003, até conseguir comprar todas as acções. Foi nessa altura que começou a semear ódios entre os adeptos, também por ter deixado que o filho Joel cometesse a imprudência de dizer à boca cheia que a família era fanática pelo United. Como é óbvio, ninguém mordeu o isco.
Nestes últimos (quase) cinco anos, o sentimento dos fiéis seguidores do clube apenas piorou. E muito. Não é difícil perceber porquê. A família Glazer deixou que o passivo chegasse perto dos 900 milhões de euros - quando tomou conta do United rondava os 600 milhões - e até usou o clube como garantia para empréstimos próprios. Como se isso não bastasse, o preço médio de um lugar cativo em Old Trafford subiu (e de que maneira). Só este ano passou de 535 para 792 euros.
Assim se explica o início de uma guerra que só vai acabar quando a família norte-americana abandonar Manchester. Os adeptos adoptaram as cores do Newton Heath Lancashire, clube que deu origem ao United, para simbolizar a revolta. E o estádio de Old Trafford, habituado ao vermelho-vivo, passou a ser pintado de verde e dourado. Há cachecóis, camisolas e faixas por todo o lado, tudo com um só objectivo: exigir a saída de Glazer.
Nas bancadas, os cânticos de protesto sucedem-se: "Love United, hate Glazer"; "We want Glazer out, we want Glazer out"; ou "Green and gold until our club is sold". Ainda assim, a venda do Manchester United é um cenário que não está nos planos do milionário norte-americano. Glazer está apostado, por outro lado, em reprimir todos os sinais de contestação, qual ditador. Até agora deixou quatro indícios dignos de um verdadeiro tirano: os jogadores estão proibidos de falar sobre os protestos; não pode haver referências à revolta na televisão do clube - e todas as perguntas feitas a Alex Ferguson nas conferências de imprensa são editadas antes de serem transmitidas na MUTV; expulsou um adepto da audiência de um programa do canal só porque não queria tirar o cachecol verde e dourado; e despediu um steward que trabalhava com o Manchester United há 19 anos apenas porque tentou devolver uma faixa anti-Glazer aos donos.
Entretanto há um grupo de empresários ligados ao clube que está a preparar uma oferta para comprar o clube. Os Red Knights (Cavaleiros Vermelhos) querem devolver o United aos adeptos - a ideia é entregar-lhes 25,1% das acções. Até lá, a guerra continua. Com todas as armas possíveis.
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