Fórmula 1

A época começou e a F1 já está em crise. Ou já estava...

por Filipe Duarte Santos, Publicado em 16 de Março de 2010   
Sem ultrapassagens, as audiências perdem o interesse e os lucros quebram. A época 2010 não mudou nada e já se fala em novas regras
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A Fórmula 1 tem quatro campeões do mundo, tem o mais titulado piloto de todos os tempos, tem quatro equipas e oito pilotos candidatos à vitória, até tem três equipas novas. Domingo, Grande Prémio do Barém: Fernando Alonso ultrapassa Felipe Massa logo na primeira curva; Nico Rosberg troca de lugar com Lewis Hamilton nas boxes. Alonso passa para a frente da corrida porque o Red Bull Renault de Sebastian Vettel teve um problema. Foi isto a primeira corrida de um campeonato que já estava e continua em crise, de emoção e de interesse. As equipas perceberam e as regras podem mudar, mesmo no início da época.

Quando a realização foca as câmaras televisivas nos duelos entre os carros que andam no fundo da grelha é porque algo está mal. Não há tensão entre quem deveria discutir as vitórias e o espectáculo ressente-se. A F1 tem uma audiência média anual de 800 milhões de espectadores, mas estima-se que no ano passado tenha quebrado 150 milhões de euros nas receitas. "O Bernie Ecclestone é sensível a isso e de certeza que está preocupado", diz ao i Vasconcelos Tavares, representante português no Conselho Mundial da FIA. E será a FIA a oficializar prováveis alterações que devolvam interesse ao circo. Esta temporada os reabastecimentos foram banidos e as equipas perderam a possibilidade de explorar tácticas de corrida; as regras actuais forçam apenas uma paragem para troca de pneus e o que está a acontecer na pista é o que os especialistas chamam "procissão", ou "comboio" - os carros sucedem-se sem hipótese de ultrapassagem.

Esperava-se que o peso superior dos monolugares (devido ao depósito de combustível maior) provocasse desgaste nos pneus, obrigando os pilotos a mais paragens e a gerir a condução com pinças, pressionando aqueles que não conseguissem fazê-la, mas o Barém mostrou o contrário: os pneus aguentam, os carros rolam tranquilos. "No fim é que eu percebi que podia ter atacado mais", disse o campeão do mundo, Jenson Button.

A Fórmula 1 segue agora para a Austrália, na esperança de que a corrida do Barém tenha sido uma excepção. "Se não for, os pilotos e as equipas devem sugerir alterações à Comissão de F1 da FIA e as mesmas podem ser aprovadas por FAX, não é necessário reunir o Conselho Mundial", explica Vasconcelos Tavares. A principal mudança deve passar pela obrigatoriedade de os carros pararem duas vezes, hipótese lançada no Inverno quando os construtores já suspeitavam do tédio que aí vinha. "Devemos considerar as duas paragens. O mais importante são as pessoas que vão às corridas ou assistem pela televisão", disse ontem Nick Fry, patrão da Mercedes. "Talvez já não se lembrem, mas as regras mudaram exactamente para que as ultrapassagens não se fizessem apenas nas boxes", contrapõe Vasconcelos Tavares.

A procissão ainda vai no adro mas incomoda até os que estão a ganhar. "Vamos esperar e ver o que acontece nas outras corridas. Pode ser que seja diferente", disse Stefano Domenicali, da Ferrari.


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