Passos Coelho: "Não tenho nenhum problema em dizer que este PEC não é meu"

Publicado em 15 de Março de 2010   
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O candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho considerou hoje que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é credível para a Comissão Europeia na medida em que lhe interessa a redução do défice de Portugal.

“É um PEC credível na medida em que à Comissão Europeia aquilo que interessa é que o Estado português daqui a três anos não tenha um défice superior a três por cento e não tenha descontrolada a dívida externa”, afirmou Pedro Passos Coelho em Ansião, distrito de Leiria, no final de um almoço com apoiantes.

O candidato disse contudo que ao país “não é só isso que interessa: “Interessa também como isso se consegue e se tivermos de conseguir uma redução do défice público à custa do aumento dos impostos eu acho mal para Portugal”.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje que o PEC é um documento "credível" e apelou a um consenso nacional "tão vasto quanto possível".

Pedro Passos Coelho reconheceu que o PEC “garante um défice de três por cento, mas à custa do aumento dos impostos e sem medidas estruturais para o país, o que significa que daqui a três ou quatro anos nós voltamos ao mesmo”.

“Compreendo que, se calhar, o Partido Socialista e o primeiro ministro não estejam muito preocupados com o que vai acontecer com Portugal daqui a quatro anos, mas nós estamos”, assegurou, explicando que não é apenas porque o PSD pode “ter a responsabilidade do governo”, mas também porque o país voltará a ter “fraco crescimento económico”.

“Não estou apenas preocupado em garantir a convergência nominal em três anos, quero garantir uma transformação, uma mudança estrutural para o país”, garantiu, mostrando-se disponível para “dialogar com o Governo”.

O candidato defendeu que o PEC “deve refletir o maior consenso na sociedade portuguesa”, pelo que no PS tem de o “alterar”.

“Se o Governo está interessado em apresentar realmente um documento que seja mais consensual, não pode ser este”, salientou, apelando para “estar disponível para ouvir outras ideias”.

Passos Coelho disse ainda lamentar que o PS tenha decidido não adiar a votação do PEC.

“Tenho pena que o Partido Socialista e o Governo tenham essa reação”, disse, reforçando: “Dizer que não adia para depois da eleição da nova liderança do PSD a discussão que possa travar com o PSD, é porque não está interessado em ter essa conversa, essa negociação com a nova liderança do PSD”.

“Fica [o Governo] desde já avisado que vote o meu partido como votar na Assembleia da República, eu, líder do PSD eleito, no dia a seguir não tenho nenhum problema em dizer que este PEC não é meu, não interessa a Portugal, não teria tido o meu voto e não serve os interesses dos portugueses e não me sinto nada vinculado”, afirmou no discurso que dirigiu aos seus apoiantes.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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