O primaz da Irlanda, que confirmou no domingo ter participado em reuniões durante as quais alegadas vítimas de abusos sexuais assinaram um compromisso de silêncio, afirmou hoje que só abandonará as suas funções a pedido do papa Bento XVI.
De acordo com a Igreja católica da Irlanda, o cardeal Sean Brady participou em duas reuniões em 1975, quando era padre e secretário em «part time» do arcebispo de Kilmore, Francis McKiernan, já morto.
Durante estas reuniões, duas alegadas vítimas «assinaram compromissos nos quais prometiam respeitar a confidencialidade da recolha de informações», confirmou a Igreja.
As autoridades eclesiásticas investigavam então o padre Brendan Smyth, considerado um dos principais agressores contra centenas de crianças, ao longo de 40 anos, e que morreu na prisão após a sua detenção na década de 1990.
À rádio britânica BBC, o cardeal Brady explicou na segunda feira que há 35 anos reinava uma cultura de «silêncio» e de «segredo» relativamente aos abusos sexuais, quer pelo clero, quer na sociedade civil.
«Só apresentarei a minha demissão se o Santo Padre assim pedir», acrescentou o cardeal, numa altura em que várias associações de defesa das vítimas pediram no domingo a demissão do responsável.
O primaz da Irlanda explicou que sabia que os atos de Smyth eram criminosos, mas não tinha consciência ser da sua responsabilidade denunciar o pedófilo.
«Atualmente, sei que devia ter feito mais, mas na altura pensei que fazia o que esperavam de mim», acrescentou.
Uma série de relatórios publicados nos últimos cinco anos na Irlanda denunciaram numerosos casos de maus tratos, abusos sexuais e crueldade nas igrejas e nas instituições de educação católica.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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