O Provedor do Ambiente e Qualidade de Vida Urbana de Coimbra, Massano Cardoso, insurge-se contra o abate de árvores na cidade, com o argumento de que elas provocam alergias, entre outros problemas de saúde pública.
“O problema não é só de agora” e “há pessoas que, sob o pretexto de que a sua saúde está em causa”, exigem que a Câmara Municipal corte as árvores da sua rua ou, até, de outras áreas da cidade, diz à Agência Lusa Massano Cardoso.
“Isso é um perfeito disparate”. Além do mais, acrescenta, “não podemos viver sem árvores e a cidade também não”. Por várias razões, “desde questões de ordem estética a ambientais ou afetivas”.
Esta “tentativa de superioridade humana em relação ao meio ambiente tem de ser reequacionada, pois é também um problema de ética ambiental”, sustenta o Provedor do Ambiente do município de Coimbra.
“Que direito tem o homem de mandar cortar algumas árvores, só porque lhe atribui alguma responsabilidade em determinada patologia?”, questiona.
O Provedor do Ambiente de Coimbra não deixa, porém, de reconhecer que “há um certo tipo de patologias que estão, sazonalmente, relacionadas com a emissão de pólenes”.
A maior parte das queixas relaciona-se com “árvores que não libertam pólen, mas sim sementes”, sobretudo “aquele tipo de algodão dos plátanos, que poderá ter alguma ação irritativa de natureza mecânica, o que é totalmente diferente”.
Nos últimos anos, os plátanos têm sido das espécies mais penalizadas em Coimbra, sofrendo, por vezes, abates em série em nome da defesa da saúde pública, lamenta Massano Cardoso.
“Não pode haver monotonia de árvores, isto é, não é conveniente aglomerações num local ou numa só rua do mesmo tipo de espécies”, reconhece.
Tem de haver, “um ordenamento florestal dentro da cidade e os técnicos sabem bem como fazer isso”. Mas também “temos de ensinar as pessoas a compreenderem que, na maioria dos casos, os seus males não resultam das árvores, mas, frequentemente, da falta delas”, adverte Massano Cardoso.
O presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, rejeita a acusação de se fazerem abates de árvores desnecessários na cidade.
“No conjunto das árvores de Coimbra, deixámos de plantar algumas espécies”, por se entender que não são indicadas para os meios urbanos, “pela concentração de pólenes que provocam”.
Quanto às “árvores que mandamos abater por razões de saúde pública”, essas são numa quantidade “pequeníssima”, garante o autarca. Além disso, há abates que têm de ser feitos por envelhecimento ou doença das árvores, recorda.
Em Coimbra, “o desbaste ou corte de árvores é sempre acompanhado por especialistas de botânica”, afirma Carlos Encarnação, afirmando que, para si, “o abate é a última coisa a fazer em relação a uma árvore”.




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