Máfia da noite em Lisboa. Pedro Alemão volta a tribunal por tráfico de droga

Publicado em 15 de Março de 2010   
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Pedro Alemão e outros sete suspeitos vão amanhã a julgamento acusados de tráfico de droga. Pedro França Alemão esteve envolvido no megaprocesso que condenou a máfia da noite lisboeta, liderada pelo antigo agente da PSP, Alfredo Morais. Nesse processo, foi condenado por tráfico de droga - em Abril de 2009 - a cinco anos e nove meses de prisão. Mas nunca chegou a estar preso preventivamente no caso que ficou conhecido por "Polvo".

Ainda antes desta condenação, Pedro Alemão foi preso em Fevereiro de 2009, novamente por tráfico de droga, num outro processo investigado pela PSP: o caso "Pontas Soltas". Segundo a investigação, quando Alfredo Morais foi detido juntamente com outros suspeitos de pertencerem à organização, Pedro Alemão continuou a dedicar-se aos mesmos negócios da noite que envolviam mulheres do alterne e tráfico de droga.

A acusação do novo processo "Pontas Soltas" refere que Pedro Alemão, juntamente com Hugo Salgado, Rui Ramos, José João Coelho (conhecido por Jota), Maria da Guia Santos (conhecida por Verónica), Francisco da Silva Oliveira, Hugo Lima e Susana Monteiro, coordenavam (com a liderança de Pedro Alemão) a distribuição de cocaína e controlavam o trabalho das mulheres em estabelecimentos de diversão nocturna, como o Elefante Branco, Gallery, Night & Day e Black Tie, em Lisboa .

Segundo o despacho que levou à acusação de todos estes arguidos, quando Alfredo Morais e outros envolvidos no "Polvo" foram presos, Pedro Alemão continuou a manter contactos com a rede de distribuição de cocaína e a gerir a entrada das mulheres nos bares. A investigação refere que Jota e Rui Ramos utilizavam dois táxis para distribuir a droga e para prestar serviços a mulheres que trabalhavam nos estabelecimentos de diversão em Lisboa. Além desta alegada rede, os arguidos foram ainda acusados de vender cocaína a outros consumidores. As inúmeras escutas identificam contactos entre todos os arguidos e relacionam com droga expressões como "flores, aquilo, rosas, presente, remédio, sobremesa, etc.".

Para a advogada de Pedro Alemão, Dulce Pereira, este processo a que chamam "Pontas Soltas" não faz sentido. Porque "duplica a investigação do processo Polvo" e, na prática, Pedro Alemão vai ser julgado pelos mesmos crimes de que já tinha sido acusado e condenado. A jurista disse ao i que a defesa vai tentar que seja reconhecida a litispendência. Ou seja, segundo a lei, "há litispendência sempre que a acusação atribuir ao acusado mais que uma vez, em processos diferentes, a mesma conduta delituosa".

Outra questão que a advogada de Pedro Alemão levanta é que estes processos ligados à noite lisboeta "são sempre investigados pelos mesmos agentes da PSP, sempre com a procuradora Cândida Vilar a liderar as investigações". E, neste processo, "não foi apanhado com droga".

Apesar da acusação incluir o crime de associação criminosa, o juiz de instrução resolveu acusar os suspeitos apenas por tráfico. Pedro Alemão, Hugo Salgado, Rui Ramos e José João estão presos preventivamente desde Fevereiro do ano passado. Neste processo foram apreendidas cerca de 100 gramas de cocaína.


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