Opinião

Altos & Baixos do Congresso

por Ana Sá Lopes, Publicado em 15 de Março de 2010   
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"Conheço o Aguiar-Branco há 30 anos e o Paulo Rangel há dois", diz Passos Coelho no sábado. Ouvem-se assobios. O argumento histórico foi mal recebido pelo congresso.

Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu com as competências do costume: o papel de "Desejado" do qual não quis sair. Foi dele o mais brilhante e realista discurso do congresso. Ofuscou todos candidatos. Fica como D. Sebastião, se nunca voltar. E se se antecipar a Barroso nas Presidenciais de 2016.

Pedro Passos Coelho ironizou com a recente amizade entre Jardim e Sócrates. O congresso ia quase repetindo a vaia que Menezes levou em 1995 no Coliseu dos Recreios quando se queixou dos "elitistas, sulistas e liberais". Irritado, Passos retirou-se de cena rapidamente.

Paulo Rangel precisava de um golpe de asa para diminuir a vantagem óbvia de Pedro Passos Coelho. O golpe de asa não existiu. A um primeiro discurso gongórico sucedeu um segundo, mais articulado. Mas Rangel não conseguiu passar uma esponja sobre a derrota nos debates.

Aguiar-Branco passou pelo congresso com a sua consabida delicadeza apenas para consolidar o previsível terceiro lugar.

Marques Mendes foi a Mafra mostrar que, se não lhe tivessem também dado pontapés na incubadora, poderia ter sido um líder mais bem sucedido do que Manuela Ferreira Leite.

Santana Lopes é o mais afectuoso dos ex-líderes. A sua outrora improvável reconciliação com Ferreira Leite foi ao ponto de ontem aparecerem juntos no apoio à nova norma, feita para prevenção de novos casos de líderes bebés vítimas de pontapés dos irmãos mais velhos. Quinze anos de luta fratricida no PSD deram de repente nisto.


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