Doha a quem doer. Naide ficou em 2.º para o bem ou para o mal

por Mariana Pinheiro, Publicado em 15 de Março de 2010   
O salto que daria o ouro à atleta portuguesa foi considerado nulo. Naide Gomes esteve bem, melhor do que ela própria pensava
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A delegação portuguesa protestou e bateu o pé, mas os juízes do Campeonato do Mundo de Atletismo em Doha, no Qatar, foram inflexíveis. Não havia volta a dar. O salto em comprimento de 6,74 metros, que podia ter dado o ouro à atleta portuguesa e, ao mesmo tempo, revalidado o título de campeã mundial em competições de pista coberta, foi considerado nulo. Naide Gomes pisou o risco e foi tudo por água abaixo. Portugal trouxe para casa a medalha de prata, com a marca de 6,67 metros. Um prémio bom, mas que podia ter caído melhor no estômago de quem rapidamente percebeu que provou uns acepipes, bem mais saborosos que o prato principal.

A atleta do Sporting começou bem. Mostrou consistência e conseguiu logo no primeiro ensaio a sua melhor marca válida. No segundo salto fez 6,65 metros e o terceiro e o quarto foram novamente considerados nulos. O brilho do ouro durou parcos instantes e desapareceu rapidamente do horizonte para ir parar às mãos de Brittney Reese, atleta norte--americana, que saltou 6,70 metros. Naide ainda tentou, mas não conseguiu. O último salto (6,74 metros) foi nulo. Ainda assim, Naide não está desiludida, na verdade, não esperava sequer ganhar uma medalha, depois das fracas exibições nos Jogos Olímpicos de Pequim e nos Mundiais de Atletismo, em Berlim. Valeu-lhe o empenho do treinador que a empurrou para o Qatar, e a quem posteriormente dedicou o triunfo. "Sem dúvida, ele é que insistiu que viesse cá. Eu não me sentia com capacidades para defender o título, mas acabei por vir", disse, acrescentando que pelo facto de ter começado a época mais tarde que o normal devido a problemas físicos (calcâneo no pé direito, uma deformação caracterizada por uma flexão dorsal do pé exagerada), os resultados podiam ter sido piores. "Estou feliz. Queria o ouro, porque quando participamos nestas competições queremos sempre ganhar, mas dadas as circunstâncias, e o meu atraso na forma, acabou por ser um resultado excelente", contou.

A campeã mundial do salto em comprimento, que conquistou o recorde de sete metros em Valência 2008, queixou--se que podia ter feito melhores marcas. "Realmente as marcas não foram nada de especial. Não sei o que aconteceu. Utilizaram um novo medidor", explicou. O pódio ficou completo com Keila Costa, brasileira, que arrecadou o terceiro posto com um salto de 6,63 metros, o seu segundo melhor, num desempate com a estónia, Ksenija Balta. O grande objectivo de agora para Naide Gomes é a participação nos Europeus de ar livre, em Barcelona. Um ambiente diferente para quem mais ganha dentro de quatro paredes. "É o meu principal objectivo. Claro que vou treinar, não vou parar".


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