Espanhóis aliviados com adiamento português
por Ana Caridade, Publicado em 15 de Março de 2010
Ministro dos Transportes já tinha dito em Novembro que a linha iria atrasar dois anos
Os espanhóis parecem estar aliviados com o anuncio do adiamento por dois anos da linha do TGV Porto-Vigo-Lisboa. Segundo a imprensa espanhola, a decisão do governo português não apanhou o executivo espanhol desprevenido.
O "Voz de Galicia" refere que este adiamento vai ao encontro dos prazos anunciados em Novembro pelo Ministério do Fomento espanhol, que passou de 2013 para 2015 a conclusão do ramo Vigo-Tui.
Fontes do Ministério do Fomento terão classificado o adiamento português de "positivo", uma vez que estabelece um "calendário mais realista" em relação às obras do lado espanhol que só estarão prontas daqui a três anos.
O governo espanhol considera mesmo "um avanço" a fixação de novas datas e a inclusão do TGV nas suas prioridades a médio prazo, em vez de renunciar definitivamente à sua construção, "como chegaram a pedir algumas facções do PSD". O jornal diz ainda que "alguns elementos do governo socialista de José Sócrates" estavam dispostos a renunciar à construção, o que estaria a gerar uma grande preocupação no Ministério de Fomento.
O diário galego escreve que as advertências feitas por técnicos do ministério de Teixeira dos Santos sobre o aumento que o TGV Lisboa-Porto-Vigo causaria no défice terão pesado mais do que as afirmações reiteradas nos últimos dias tanto pelo primeiro-ministro como pelo seu ministro das Obras Públicas, nas quais asseguravam que a alta velocidade até à Galiza era uma obra prioritária e que não sofreria atrasos.
Os espanhóis estão agora preocupados com o destino dos 244 milhões de euros da União Europeia adjudicados ao projecto transfronteiriço e cujo prazo de utilização termina em 2013.
O "Voz de Galicia" dá ainda conta de uma reunião entre o ministro espanhol do Fomento, José Blanco, e o ministro das Obras Públicas português, António Mendonça. O encontro deverá acontecer daqui a três semanas em Madrid e o TGV será um dos assuntos em cima da mesa. Blanco deverá propor ao ministro português o estabelecimento de um convénio no qual se definam os prazos concretos para a conclusão de cada troço e para a entrada em funcionamento do TGV.
Com esse acordo estabelecido, o ministro espanhol espera que se consiga argumentar junto da UE as razões dos atrasos, e tentar que Bruxelas mantenha as ajudas, ou que admita, pelo menos, destiná-las aos trabalhos prévios à construção, como sejam estudos, projectos e expropriações.
Ana Caridade
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