Crise

China reforça a sua posição global na economia, na política e no ambiente

por André Patrocínio, Publicado em 15 de Março de 2010   
China depara-se com 2010 difícil e com uma urgente tarefa na reestruturação interna do país
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A recuperação da crise está difícil mesmo para a China. Depois do encerramento da reunião anual da Assembleia Nacional Popular na China, o primeiro- -ministro chinês, Wen Jiabao, admitiu que a recuperação global da economia continua incerta e anunciou as medidas adoptadas para derrubar a crise que o país também atravessa.

A subvalorização da moeda chinesa, o yuan, tem sido motivo de preocupação dos parceiros económicos mundiais - a Europa e os EUA - que a interpretam como uma manobra para relançar o nível de exportações da China. O primeiro-ministro chinês rejeitou as pressões internacionais para valorizar a moeda, escudando-se como um defensor do "comércio livre". Wen Jiabao aproveita o momento para fazer ecoar "a firme oposição da China ao proteccionismo". Sendo 60% das exportações asseguradas por empresas de capitais externos, seria desfavorável subir o câmbio da moeda.

Diplomacia As relações entre Washighton e Pequim ficaram abaladas com a a visita de Dailai Lama à Casa Branca, com Pequim a considerar a visita como uma interferência norte-americana nas opções políticas chinesas, apontando o líder tibetano como um indutor do "separatismo" e como uma "ameaça à integridade e soberania territorial chinesa". O governo de Wen Jiabao não poupou também críticas à venda de armas por parte dos EUA a Taiwan, advertindo para a possibilidade de recurso à força para reintegrar a província no domínio chinês.

Ambiente A China foi recentemente criticada pela Dinamarca, pela sua inércia na concertação dos problemas de aquecimento global e na redução das emissões de dióxido de carbono e, após algum período para "reexame", o negociador chinês, Su Wei, anunciou a aceitação do Acordo de Copenhaga, dizendo que "podem incluir a China na lista".

No entanto, nem todos os dilemas chineses provêm do exterior, pois, nas palavras do primeiro-ministro Wen Jiabao, "o desemprego ainda é alto, as crises de débito de alguns países continuam a aprofundar-se e os preços das mercadorias e as taxas de câmbio não estão estáveis, o que poderá causar algum retrocesso na recuperação económica". Há que reformar o sistema nacional, sendo que Wen Jiabao alerta que o seu país está ainda "na primeira fase de de-senvolvimento e que o actual processo de modernização deverá demorar cem ou mais anos". O país tem de percorrer um longo caminho para reafirmar o seu lugar na economia mundial.


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