PSD
Pedro Passos Coelho: "No dia 26 falamos sobre o PEC"
Publicado em 15 de Março de 2010
Passos Coelho renova desafio ao Governo e diz que discussão do PEC é questão de princípio
Foi Marcelo Rebelo de Sousa quem lançou a questão no seu discurso ao congresso do PSD: o governo vai discutir um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que vincula o país até 2013, na véspera da eleição de um novo líder para o maior partido da oposição? Passos Coelho gostou da ideia e terminou o seu discurso da noite de sábado desafiando José Sócrates a adiar duas semanas a discussão parlamentar do PEC, marcada para o próximo dia 25, para poder debatê-lo com o novo líder do PSD e apresentá-lo aos mercados, e à Comissão Europeia, como um documento de consenso nacional que envolve a oposição no esforço de redução do défice.
O PS respondeu ontem mesmo ao repto de Passos Coelho no congresso de Mafra. Em conferência de imprensa, Vitalino Canas disse que o agendamento da discussão do PEC "teve o consenso de todos os partidos, incluindo do próprio PSD".
O dirigente socialista acrescentou que o próprio PSD já criticou o governo por se ter atrasado na apresentação do PEC. Vitalino Canas defende não ter existido qualquer atraso do executivo. "Mas haveria atraso se fossemos atrás das ideias do PSD, que, pelos vistos, pretende condicionar o interesse nacional com a aprovação do PEC à sua vida interna."
Para além de recusar o adiamento da discussão do PEC proposto por Pedro Passos Coelho, o PS também rejeitou a hipótese de retirar o seu projecto de resolução, como recomendara o candidato Paulo Rangel. Vitalino Canas explicou, aliás, que a apresentação de uma resolução anexa ao PEC "tem um precedente que foi concretizado pelo PSD", em 2003, durante o governo de Durão Barroso, iniciativa em que "o PS colaborou".
Presidente até ao ultimo dia Após o encerramento do congresso de Mafra, Pedro Passos Coelho reafirmou a sua ideia: "No dia 26 falamos sobre o PEC. Se eu for eleito presidente do partido, o que espero, considero isso uma questão de princípio. Se o governo esteve à espera dois meses para apresentar o PEC, pode esperar para o discutir com o próximo líder do PSD", disse ontem ao i o candidato, que acrescentou: "Fiz um apelo directo ao primeiro-ministro. O governo sabe que o PSD está num processo eleitoral. Se quer conversar com alguém, deve esperar pelo dia seguinte." O candidato ao lugar de Manuela Ferreira Leite insiste: "O governo que pondere muito bem a situação. O projecto de resolução é um documento do governo, o governo é que tem que decidir se quer adiar."
Passos Coelho diz ter avisado: "Pedi à direcção do partido e do grupo parlamentar [do PSD] que tivessem prudência no tratamento desta matéria. Não era uma matéria para ser decidida de qualquer maneira. Cada um deve ser consequente em função dos lugares que ocupa".
A resposta de Manuela Ferreira Leite, porém, já estava dada: "Não vou fazer comentários sobre essa matéria porque eu, até ao último dia, sou presidente do partido", disse à Lusa.
Como o PEC só será discutido no dia 25, a questão da legitimidade da actual direcção do PSD para viabilizar a sua aprovação parlamentar (que não é, aliás, obrigatória) e, sobretudo, a questão de a futura direcção querer ser ouvida sobre o conteúdo de um programa que condicionará a economia portuguesa nos próximos três anos, promete resistir até ao dia da votação. E voltará necessariamente a ser falada caso Passos Coelho ganhe a corrida social-democrata e mantenha a discussão do PEC como uma "questão de princípio".
Mais uma vez, uma ideia de Marcelo Rebelo de Sousa transforma-se num facto político. Facto que Marcelo - que entrou no congresso de Mafra com possibilidade de ganhar tudo, fez um discurso próprio de um líder e saiu de lá com o seu capital político intocado, sem ter arriscado perder nada -, comentará certamente com desenvoltura.
portas critica atraso Os outros partidos da oposição não interferiram ainda nesta polémica. O líder do CDS-PP defende que já basta de atrasos na entrega do PEC: "Só há três países que não entregaram o PEC: Roménia, Chipre e Portugal. Não tenho a certeza que sejam a companhia mais apropriada", disse Paulo Portas ao i. E rematou: "Não digo que devesse ser o primeiro, mas acho particularmente infeliz que seja o último. O CDS definiu a sua posição de abstenção no dia 24 de Janeiro. Não me parece normal que se discuta o assunto em Março". com Ana Sá Lopes e Paulo Pinto Mascarenhas
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