Moda

Moda Lisboa. Nos bastidores sempre de malas aviadas

por Mariana Barbosa e Nelma Viana, Publicado em 15 de Março de 2010   
No último dia de desfiles, o i espreitou pelo buraco da fechadura. Conheça aquilo que muito poucos podem ver
Opções
a- / a+
Setenta e cinco nomes para 22 desfiles. O alinhamento é diário e afixado na parede logo à entrada, com as medidas dos manequins, as agências e os transferes para os hotéis.

No último dia de Moda Lisboa já está tudo de partida. Nos bastidores sempre esteve: as malas de viagem nunca saíram de debaixo das mesas de cabelos e maquilhagem. "Muito stress, muito stress", comenta-se nos corredores. O cheiro a laca e a acetona passa despercebido a todos. Menos a Madalena, 10 anos, que assiste à confusão com "vergonha" por ser "a única miúda nos bastidores".

A 34.ª edição da Moda Lisboa terminou ontem, depois de quatro dias de desfiles, divididos entre o Páteo da Galé, no Terreiro do Paço, e o MUDE, na Rua Augusta, em Lisboa. Entre os fotógrafos - os primeiros a entrar no "show room" (sala dos desfiles) - mais importante do que os desfiles que já estão em retrato é não deixar escapar pitada do "social alternativo". Ou seja, tudo o que se passa fora das passarelas. Desde adolescentes com esperança de serem descobertas por "scouters" de agências ou estudantes de moda que criam tendências no próprio corpo, a ilustres desconhecidos que chamam a atenção dos fotógrafos pelas extravagantes indumentárias: uma verdadeira fauna. Nas primeiras filas, uns tentam roubar os lugares às caras famosas, enquanto estas não se cansam de posar para os flashes. Do outro lado da parede, o frenesim é ainda maior.

Behind the Scenes Se está à espera de ver tendências nos bastidores, esqueça. Por trás das cortinas brancas há cabelos compridos, escadeados, franjas...mas sobretudo looks naturais. "Depende dos estilistas, que nunca gostam de ser iguais uns aos outros. Reúnem com as equipas de cabeleireiros e de maquilhagem e decidem em conjunto os looks. Depois treinamos em bonecas", conta Bento Fonseca, 34, cabeleireiro. Uma loira, muito alta senta-se na cadeira, vaga há minutos. Em frente ao espelho, olha-se e sorri para o cabeleireiro, que se aproxima e começa a borrifar-lhe o cabelo com água. Ela tira a escova da carteira e passa-a ao cabeleireiro Paulo Vieira, 52, um veterano nestas andanças. "Venho desde a primeira edição e notam-se diferenças enormes, sobretudo em termos de organização. Muito mesmo", conta. "Estou cansado, claro, mas é o meu último desfile por isso agora vou descansar."

Flávia, 19 anos, manequim, também está de saída. Estreou-se este ano na Moda Lisboa, "vendida" pela agência de São Paulo a outra, em Paris. E finalmente, subcontratada para participar na semana de moda lisboeta. Uma mercadoria humana. Apressada, não consegue lembrar-se do estilista por quem desfilou. "Passei para este último, não sei o nome." Filipe Faísca, lemos no guião. E tenta desviar-se dos dez manequins, em fila, à espera para desfilar. Ali, comparam-se abdominais, espreitam-se revistas femininas distribuídas gratuitamente e namora-se. Dois adolescentes trocam beijos entre os desfiles de um e de outro, enquanto combinam a "saída de logo à noite". Madalena olha tudo com o espanto da idade e bate com o pé no chão ao som da batida, enquanto os modelos de Nuno Gama esperam há mais de meia hora para entrar na passarela. "Ai, está a ser tão fixe!", diz Madalena. É moda. Em Outubro há mais. Checkpoint. Moda Lisboa.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close