"A verdade virá ao de cima e é à escola que compete apurar essa verdade." Foi com estas as palavras que Josefina Rocha, professora de História na Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho - suspensa preventivamente por ter conversas sobre sexo com alunos de uma turma do 7.o ano -, comentou ao i o mediático caso em que está envolvida.
O comportamento da professora de Espinho "não é corrente, nem normal, nem de regra", disse ontem a ministra da Educação, acrescentando que a tutela está a averiguar se a escola "respondeu prontamente" à situação.
Maria de Lurdes Rodrigues defende que o impacto deste caso se deve ao facto de hoje existir "um olhar mais exigente sobre os assuntos: nada é perdoado". E apela à capacidade de "olhar para esta exposição com reserva, procurando relativizar as coisas". Quanto a uma eventual sanção, a ministra descartou responsabilidades: "O poder disciplinar está na escola."
Noémia Brogueira, presidente do conselho executivo da escola, confirmou que a professora esteve ontem de manhã naquele estabelecimento de ensino: "Foi notificada e assinou um processo de suspensão preventiva."
A decisão agradou aos pais que apresentaram queixa da professora. "Fiquei satisfeita com a escola. Esta senhora devia deixar de dar aulas para sempre", declarou Carla Morais, mãe de uma aluna. A mãe de outra criança da mesma turma, que preferiu não se identificar, também aplaudiu o afastamento de Josefina: "Se a professora não está em condições de dar aulas, vá-se tratar. Mas não pode lidar com crianças de 12 anos como lidou. O conselho executivo portou-se bem. Penso que a directora ficou tão chocada com isto tudo quanto nós", disse ao i.
As mães dos alunos estiveram ontem reunidas com Rui Malheiros, professor da escola e instrutor do processo, que se mostrou perplexo. "Aquela professora teve acções inapropriadas ao longo dos anos. Já lhe tinha sido chamada a atenção por problemas administrativos, mas destes não", revelou.
Mas a EB 2,3 Sá Couto é uma escola normal, segundo José António Moreiro, da Associação de Pais: "Os poucos casos problemáticos são com alunos dos cursos de educação e formação, mas não há conhecimento de acções que ponham em causa a escola."
ALUNOS DEFENDEM PROFESSORA Nem todos estão contra Josefina. Aos 45 anos, a professora soma sete de aulas de História e Cidadania do Mundo na Escola EB 2,3 Sá Couto. E os dois filhos não são os seus únicos aliados. "A professora fala de tudo connosco, dá-nos apoio. É uma professora especial e viemos aqui para a apoiar", disse um dos alunos dos cursos de educação e formação, que ontem se reuniu com os colegas em frente aos portões da escola. "Gostamos dela e achamos mal andarem a dizer estas coisas", explicou Samir Nica, outro dos alunos. "Quando nos vê tristes ou com problemas em casa ajuda-nos. É uma professora que ninguém vai esquecer. Um ombro amigo que já me safou de muitas", desabafou o estudante, que tinha falado com Josefina momentos antes e garantiu que a professora se encontrava "deprimida, preocupada com resolver o assunto - e contar a verdade". Samir não tem dúvidas: "Foi aquela turma que puxou por ela para a levar a dizer certas coisas e prejudicá-la."
VIAGEM A SALAMANCA Os pais de uma das alunas envolvidas na polémica referem que tudo foi desencadeado por uma visita de estudo que os alunos fizeram a Salamanca. "Quando a minha filha disse à professora que não ia na viagem, ela disse que a criança tinha de pagar, de uma maneira ou de outra", conta. A partir daí começou a "perseguição" e a adolescente começou a contar aos pais tudo o que se passava nas aulas. A mãe contactou outros encarregados de educação e concluiu que as histórias sobre conversas sexuais nas aulas eram idênticas. "Depois de o confrontar e depois da gravação, o meu filho confirmou que era metade aula, metade sexo", revelou Emília Marques, mãe de um dos rapazes da turma do 7.o ano.
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