O professor Marcelo Rebelo de Sousa elogiou os quatro discursos dos candidatos à liderança e apelou ao esforço de unidade depois da eleição, "é preciso todos remarem na mesma direção".
Falando aos jornalistas à saída do pavilhão Ministro dos Santos, em Mafra numa pausa dos trabalhos para o jantar, o professor Marcelo Rebelo de Sousa fez a análise de cada um dos discursos dos quatro candidatos, elogiando todos eles.
"O Castanheira Barros fez um testemunho muito basista, que lhe veio do coração, muito sincero, muito direto", disse o professor da prestação do candidato advogado de Coimbra.
Sobre Paulo Rangel, disse que "fez uma grande peça de oratória, muito bem escrita e bem dita".
Quanto a José Pedro Aguiar Branco, Marcelo registou que " teve três ou quatro ideias fortes, um discurso mais doutrinário e acabou também com muita força".
Fez também um elogio a Pedro Passos Coelho, que "começou muito bem, teve uma primeira parte muito bonita, do ponto de vista empático, muito pessoal", mas reconheceu que no final algo correu mal: "Perdeu-se com o tempo, na parte final não lhe saiu bem, aquele cumprimento ao Jardim, ele queria ser simpático, mas às vezes com o nervoso da situação, sai, não sai…"
Afirma o professor que, na sua interpretação, Passos Coelho queria ser simpático, mas "não soube encontrar o discurso afetivo". E deixou a receita certa, "com Alberto João tem de se falar com o coração e não com a cabeça".
De qualquer forma, não considerou esta parte menos boa como decisiva, "ninguém está estragado definitivamente, mas não se saiu muito bem, apesar de ter tido uma parte inicial muito boa".
Sobre o congresso, o ex-líder do partido diz que "ninguém sabe se vai ser determinante" para a eleição do líder.
Este congresso "é muito importante, e devemos isso a Santana Lopes", disse o professor, explicando o que gostaria que acontecesse: "Aquilo que tentei explicar no meu discurso, o partido fazia congressos, cada um defendia as suas ideias, depois ia a votos, e havia um que ganhava, os outros retiravam as candidaturas e uniam-se todos".
"O problema do partido nos últimos anos, é que como vão sempre até ao fim as candidaturas, fica sempre aquela ferida e fica a divisão. Isso perpetua-se para o mandato seguinte. É preciso fazer um esforço de unidade depois desta eleição. E todos remarem no mesmo sentido", afirma o ex-líder.
A terminar, o professor manifesta a sua indignação com o papel do partido no País, explicando que, ao ouvir todos os discursos, constata que "este partido tem quadros que são melhores que os do PS, como é que este partido não está no Governo?".
Mas tem o diagnóstico e a solução, diz, "há qualquer coisa de errado, e a meu ver o errado relaciona-se com a divisão do partido. Ficam enquistadas posições. Se aquele está a falar não entro na sala… não pode ser! A riqueza do partido está em convergir."
Questionado pelos jornalistas sobre se os candidatos devem desistir, defendeu que "pela lógica do sistema, os candidatos irão até ao fim, mas o que ganhar é bom que não lhe suba à cabeça, não pode ser arrogante, tem que ir buscar os outros, e os que perderem não podem ficar encostados, do género, eu perdi vou ver se te lixo para daqui a dois anos ganhar."
Justificando a sua presença no congresso, disse que "era mais importante o apelo de unidade no partido, foi esse o meu entendimento e neste momento não tenho ainda candidatura escolhida no sentido de publicamente apoiar uma candidatura. Vim aqui para dizer, atenção, vejam a lição do passado, apostem na unidade, uma vez eleito um, remem no mesmo sentido, e depois vamos esperar, ainda falta duas semanas de campanha".
Sobre qual o candidato pode apoiar, voltou a insistir na defesa da unidade, "para quebrar a defesa da unidade é preciso eu convencer-me que há uma razão muito forte para apoiar um em desfavor dos outros".
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




Rating: 0.0
Actividade em ionline