O congresso de Marcelo e Passos Coelho
por Ana Sá Lopes, Publicado em 13 de Março de 2010
O líder que poderia ter sido e o líder que poderá ser. O congresso de Mafra ficou dividido entre um Marcelo com um projecto para o país mas com a decisão “irreversível” de não avançar e um Passos Coelho que, à vista desarmada, tem garantidas as condições de ganhar as directas do próximo dia 16. O melhor discurso e a ideia mais consistente para o país couberam a Marcelo, mas Passos Coelho ultrapassou Paulo em retórica Paulo Rangel e em pergaminhos histórico-partidários Aguiar-Branco.
“O Pedro” não perdeu o seu tempo depois da derrota contra Ferreira Leite. Ontem, estava mais bem preparado, apareceu com propostas concretas (entrando no campo de recrutamento eleitoral de Paulo Portas, com a proposta de obrigar os beneficiários de prestações sociais a contribuírem com trabalho comunitário). Logo a abrir, enfrentou os seus “demónios pessoais” que lhe provocam críticas mais ou menos públicas: o facto de ter feito carreira política na JSD, de só ter ido concluir o curso universitário depois dos 35 anos, de trabalhar com Ângelo Correia, esse “pecado”. Teve dois momentos mais infelizes: o pedido de demissão do procurador-geral da República feito por alguém que se recusa a fazer julgamentos sobre a actuação do primeiro-ministro no negócio PT/TVI é inconsistente; provocar Jardim por causa da sua reconciliação com Sócrates, motivada por uma tragédia chocante, é inútil e infantil. Mas se o congresso servir de barómetro, Passos Coelho ganha, Paulo Rangel fideliza uma razoável franja de apoiantes e o resultado de Aguiar-Branco pode vir a ser minimal.
Santana Lopes tinha uma tarefa para cumprir: menorizar Pedro Passos Coelho e pôr um congresso social-democrata a aplaudi-lo no momento em que mostrava o seu repúdio por Cavaco Silva, em 2004, ter apostado em Sócrates contra o candidato do seu partido, o próprio Santana Lopes. “Esta é a verdadeira história. Era esta a boa moeda, senhor Presidente?”. Para espanto de alguns, o congresso delirou com a provocação ao querido fantasma que continuou a assombrar todos os líderes do PSD de 1995 até hoje.
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