O ex-líder do PSD Pedro Santana Lopes apelou hoje ao primeiro ministro José Sócrates para que “ou se demita ou dê um murro na mesa”, exigindo um esclarecimento total dos processos em que tem sido envolvido.
“O primeiro ministro não pode viver sob suspeita sobre o seu caráter e manter-se em funções: das duas uma ou se demite ou dá um murro na mesa e exige o cabal esclarecimento da situação”, afirmou Pedro Santana Lopes, numa intervenção perante o XXXII Congresso do partido, em Mafra.
Dizendo que “ninguém pode ser achincalhado” como tem sido o primeiro ministro, Santana Lopes considerou que José Sócrates não pode, como um cidadão comum, dizer apenas que está inocente e que confia na justiça.
“Se nós nos indignamos com a forma como o primeiro ministro tem sido tratado, há uma pessoa que devia indignar-se muito mais, que era José Sócrates”, disse.
Recordando casos em que o nome do primeiro ministro esteve envolvido - como o da licenciatura na universidade Independente ou os projetos que alegadamente teria assinado como engenheiro -, Santana Lopes deixou também uma pergunta ao Presidente da República, Cavaco Silva.
“O sr. Presidente da República não poderá levar a mal que lhe pergunte: era esta a boa moeda?”, questionou, referindo-se a um artigo publicado no Expresso por Cavaco Silva sobre a boa e a má moeda e que foi entendido como um recado, pela negativa, a Pedro Santana Lopes.
“Eu quero acreditar que se Cavaco Silva soubesse o que sabe hoje teria preferido que tivesse continuado a governar um governo liderado pelo nosso partido”, disse.
Apesar desta crítica, Santana Lopes manifestou o seu desejo de que Cavaco Silva se mantenha como Presidente da República e o candidato presidencial Manuel Alegre “continue a fazer os seus belíssimos poemas”.
Num diagnóstico da situação do país, o ex-primeiro ministro considerou que já foi dado tempo de mais a este Governo e não poupou também críticas ao ainda governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.
“Enfiou o maior barrete a Portugal que alguma vez foi enfiado sobre a gestão das finanças públicas, foi à conta desse embuste que José Sócrates e Vítor Constâncio construíram um projeto de poder pessoal e partidário, partindo de um imaginário défice de mais de seis por cento”, recordou.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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