A recente aproximação entre o presidente Lula da Silva e o seu homólogo iraniano Mahmud Ahmadinejad tem gerado deceção entre os israelitas no Brasil, disse à agência Lusa um dos líderes da comunidade judaica.
Pérsio Bider, presidente da Juventude Judaica Organizada (JJO), afirmou que os israelitas esperam uma posição de imparcialidade de Lula da Silva, durante a visita que o mandatário brasileiro realizará ao Médio Oriente a partir deste domingo.
"A comunidade israelita acompanha com deceção a aproximação entre Lula da Silva e o presidente do Irão, uma pessoa que nega o holocausto e que defende abertamente o extermínio de Israel", disse.
"Vemos com bons olhos essa visita (de Lula da Silva), mas o presidente tem que ser imparcial nas iniciativas de abordar a questão da paz no Médio Oriente", salientou.
Pérsio Bider sublinhou que será a primeira visita de Lula da Silva a Israel, desde que assumiu o poder, em 2003, e uma oportunidade para melhorar sua imagem junto à comunidade israelita, após a aproximação do Brasil com o Irão.
Em novembro do ano passado, Mahmud Ahmadinejad foi recebido com honrarias de chefe de estado, em Brasília, por Lula da Silva, que pretende visitar o Irão este ano.
A partir de domingo, Lula da Silva iniciará uma visita de quatro dias a Israel e aos territórios palestinianos, em mais uma iniciativa da diplomacia brasileira de transformar o Brasil num agente nas negociações de paz na região.
No ano passado, Lula da Silva recebeu as visitas dos presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas, em Brasília.
A comunidade palestiniana no Brasil defendeu, por meio de um comunicado em sua página eletrónica na Internet, o apoio do Brasil na criação de um estado palestiniano.
O Comité Nacional Palestiniano de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BNC), formado por diversas organizações civis, quer que o Brasil suspenda as atuais negociações de um Acordo de Comércio Livre (ACL) entre Israel e o Mercosul, o mercado comum da América do Sul.
A suspensão é uma forma de pressionar Israel a aceitar a "criação de um Estado Palestiniano nas fronteiras de 1967", num ato "consistente com o respeito do Governo brasileiro pelo direito internacional".
"Esta recomendação transmite uma mensagem clara a Israel de que há um preço para a sua contínua ocupação, colonização e políticas de apartheid contra o povo palestiniano", referiu o comunicado.
A comunidade palestiniana quer ainda que o Brasil, país que alberga cerca de 12 milhões de árabes, suspenda os acordos com Israel na área militar.
A relação com Israel "contradiz com os valores defendidos" na Constituição brasileira para a política externa, como a "prevalência dos direitos humanos", "autodeterminação dos povos", "defesa da paz" e "solução pacífica dos conflitos".
O comunicado lamentou ainda que, em 2000, tenham sido criados "laços militares amplos entre o Brasil e Israel", com empresas israelitas tornando-se importantes fornecedoras de equipamentos para o Exército brasileiro.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.




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