Marcelo Rebelo de Sousa: "Estou a pensar se vou ao congresso"
por Ana Sá Lopes, Publicado em 13 de Março de 2010
Marcelo Rebelo de Sousa ficou "estupefacto" com as regras do congresso. "Estou a pensar se vou", disse ao i
Ontem à tarde, Marcelo Rebelo de Sousa ainda não tinha decidido se iria ao congresso que hoje começa em Mafra e que marca a despedida de Manuela Ferreira Leite. "Estou a pensar se vou ou não. Estou estupefacto com a originalidade de os delegados comuns só poderem falar a partir da uma da manhã!", disse ao i. "É uma coisa nova em congressos, noutros tempos não era assim", afirmou ainda o ex-líder do PSD, o homem em quem muitos ainda depositam esperanças de que decida fazer uma rodagem de carro e, à última hora, acabe a recuar na decisão de não se candidatar à presidência do partido que liderou no fim do anos 90.
Depois de obter sucessivas vitórias na oposição, Marcelo demitiu-se antes de ir a eleições, por ter falhado a AD que tinha combinado com Paulo Portas.
A mudança na ordem de trabalhos do congresso provocou outras irritações, para além da de Marcelo Rebelo de Sousa. Pedro Santana Lopes ameaçou mesmo não aparecer em Mafra. "O congresso não foi preparado para ser um desfile de candidaturas. Se chegar à conclusão de que isso é inaceitável posso não participar. É neste momento aquilo que me sinto inclinado a fazer", disse no telejornal da RTP.
A reviravolta nos trabalhos do congresso foi a surpresa da tarde. Rui Machete, o presidente da Mesa do Congresso, reuniu à tarde com as várias candidaturas e acabaram por decidir inverter a ordem de trabalhos, de maneira a que o congresso possa durar um só dia. A proposta vai ser votada pelos delegados hoje em Mafra.
Com medo de que, no domingo de manhã, ninguém aparecesse e não houvesse quórum para votar as alterações aos estatutos, Rui Machete, com o acordo das candidaturas, decidiu que o horário nobre do congresso - sábado à tarde - fosse dedicado à discussão e votação das propostas de estatutos. A primeira ronda das intervenções dos candidatos será antes do jantar e a segunda por volta de meia-noite. No entretanto, falam 21 delegados: cada candidatura teve direito a escolher sete.
Antes das candidaturas deverão falar os ex-líderes: Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Pedro Santana Lopes, Luís Filipe Menezes. Se forem todos. Pinto Balsemão, o militante número 1, que ocupou a presidência do PSD a seguir à morte de Sá Carneiro, não costuma comparecer.
Mas os delegados "comuns" - que não estejam afectos a nenhuma das candidaturas - só poderão falar depois da uma da manhã, o que tanto Marcelo Rebelo de Sousa como Pedro Santana Lopes acham inaceitável.
As candidaturas estiveram todas de acordo. Agostinho Branquinho, apoiante de Aguiar- -Branco, afirmou à Lusa que o "consenso para alterar a ordem de trabalhos e discutirmos primeiro as alterações estatutárias e fazer, depois, a discussão política, pode permitir que o congresso dure apenas um dia".
Tratou-se, disse Branquinho de "uma sugestão conjunta" das quatro candidaturas na reunião que tiveram ontem com o presidente da mesa do Congresso, Rui Machete. O próprio Agostinho Branquinho frisa que "só o presidente da mesa do Congresso poderá decidir se o congresso dura um ou dois dias", conforme o andamento dos trabalhos. Mas todos já interiorizaram que o congresso durará até às 4 da manhã e depois ninguém há-de aparecer no domingo para continuar o debate. A menos que uma nova reviravolta volte a confundir os cenários - coisa em que, verdade verdadinha, o PSD é muito mais fértil do que qualquer outro partido português.
É, mais uma vez, no meio de uma polémica que os congressistas do PSD voltam a reunir-se, para um congresso não electivo. Podem, no entanto, decidir alguma coisa: há várias propostas de alteração aos estatutos do partido - de Santana Lopes, de António Capucho, de Manuel Frexes - que querem mudar as regras de eleição. Nomeadamente, fazendo regressar o espírito dos congressos sem abolir as directas e instituindo uma segunda volta, caso o vencedor não obtenha mais de 50% dos votos dos militantes.
As directas estão marcadas para dia 26 de Março e até à próxima sexta-feira, 19, é possível apresentar candidaturas. A incógnita Marcelo permanece, apesar de publicamente o professor insistir que arrumou o assunto há meses. Mas a saída de Marcelo da RTP e o adiamento das conversas com a TVI aumentaram as especulações. Marques Mendes, Jardim, Santana Lopes, entre outros, vieram a público dizer que era o seu candidato favorito. "Está cheio de vontade, não tinha uma oportunidade tão boa na vida, mas não dá o passo", desabafa um amigo.
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