Crime
Violador de Telheiras. "O meu cliente sofre de psicopatia mental"
por Cláudia Garcia, Publicado em 13 de Março de 2010
Defesa pode alegar anomalias psíquicas e preparar uma estratégia baseada na inimputabilidade
Psicopatia mental. Este é o motivo que terá levado Henrique Sotero a não ser capaz de controlar os seus impulsos sexuais e a cometer os 40 crimes de violação (que já confessou). A convicção é do seu advogado: "Ele sofre duma psicopatia mental", afirma José António Pereira da Silva.
O alegado violador de Telheiras procurou ajuda psiquiátrica há seis meses, relata o defensor de Sotero, quando começou a tomar a medicação prescrita pelo médico António José Albuquerque. De acordo com o advogado, apesar de detido, Sotero continua "a tomar comprimidos" e já foi a uma consulta.
A psicopatia de que fala Pereira da Silva é uma perturbação de personalidade. Estudos mostram que uma das características mais comuns é a dificuldade em controlar impulsos. O advogado vai mais longe e diz: "Para mim todos os violadores são psicopatas." Se Sotero conseguir provar a sua inimputabilidade - ou seja que a anomalia psíquica o impediu no momento do acto criminoso de agir conscientemente -, o tribunal pode determinar o seu internamento por, no mínimo, três anos. Assim, a defesa pode estar a preparar uma estratégia baseada na inimputabilidade. Questionado sobre esta possibilidade, o advogado apenas assegura que ainda não tem dados suficientes para avaliar o perfil do seu cliente. E "a seu tempo" irá preparar uma estratégia que garanta a Sotero uma "defesa pura, rigorosa e baseada na verdade".
Consciente do que se passa O facto de Henrique Sotero ter já confessado a violação de 40 jovens não tira o sono a Pereira da Silva. "Não sei do que está a falar. Ainda não conheço os crimes que lhe foram imputados." Por outro lado, acredita que o facto de ter abraçado a defesa de um suspeito de abusos sexuais possa gerar algumas situações "mais delicadas." Ainda assim, não teme qualquer comentário à sua integridade e adianta: "Eu sou um advogado à antiga. Sou reconhecido a nível nacional e não tenho telhados de vidro em casa."
Sobre o cliente, Pereira da Silva conta que quando se dirigiu pela primeira vez às imediações da Polícia Judiciária em Lisboa, Henrique Sotero mostrou-se preocupado: "Ele sabe da gravidade da sua situação", conta. E acrescenta: "A prova disso é ter cessado a actividade criminosa há meio ano", altura em que procurou, pela primeira vez, ajuda psiquiátrica.
A próxima audiência ainda não tem data marcada. Mas a família de Henrique Sotero já se encontrou com o advogado. "Eles estão muito abalados." Silva Pereira explica que os familiares estão igualmente conscientes da gravidade da posição de Sotero, perante esta "tragédia". Mas sublinha: "São uma família muito equilibrada."
Percurso José António Pereira da Silva tem 60 anos e está em exercício de actividade há 35. Este é o primeiro caso de defesa de crime de abuso sexual e normalmente actua sempre do lado da acusação. A longa relação de amizade entre António José de Albuquerque, psiquiatra de Sotero, e o advogado foi determinante para a decisão de Pereira da Silva. O médico indicou o nome à família de Sotero. "Quem me conhece sabe que eu nunca deixaria ninguém sem defesa", explica, acrescentando: "Eu já meti advogados na prisão." Esta frase surge como alusão directa ao caso de Reinaldo Guerra Madaleno e ao de Vale e Azevedo. Actualmente defende Carlos Cruz, em processo contra a TVI. Sobre Sotero apenas refere que não conhecia a pessoa, nem tinha ouvido falar no caso. "Não tenho tempo para ver televisão."
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