TUDO COMEÇA nas lojas de brinquedos. É lá que está a raiz da diferença de géneros. Logo a seguir aos laboratórios de genética, é aqui que se pode estudar com rigor toda a problemática inerente às desigualdades, às diferenças, etc., entre homens e mulheres.
Na minha opinião, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género devia mesmo abrir uma delegação no Toys R Us e despachar a partir de lá. No mínimo.
Existem quatro tipos de brinquedos para o sexo feminino infantil: bebés, cozinhas, produtos de beleza e bonecas com as maminhas espetadas e o rabo alçado. Pouco mais. Tudo o resto é acessório, minoritário e, claro, cor-de-rosa.
Depois temos a secção dedicada ao sexo masculino infantil: o resto. E de todas as cores.
O mundo dos brinquedos infantis divide-se, portanto, entre cozinheiras, mães e boazonas, do lado feminino; o mundo em geral, do lado masculino.
É injusto. Não percebo porque é que não há nenucos para rapazes. Porque é que só aparecem fotografias de meninas a brincar com os bebés e nem um menino. E os pais? Será que os nenucos não têm pais? São todos filhos de mães solteiras? E pais solteiros? Não há, queres ver?
Também não percebo porque não podem os rapazes cozinhar e passar a ferro quando são pequeninos. Só quando crescem, é? Pergunto: para quando uma espécie de Ken, pai solteiro e excelente dono de casa, com todos os acessórios incluídos, como gravatas e meias de cano alto. Para quando o fim desta discriminação em pleno século xxi?
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