Coluna vertical
Pequenas coisas
por Marta Crawford, Publicado em 13 de Março de 2010
"Dantes ligavas-me todas as manhãs quando chegavas ao teu escritorio" e tu "apalpavas-me quando íamos no elevador", "galanteavas-me sempre que punha saltos altos" e tu " beijavas-me como se eu fosse um rebuçado", "davas-me a mão para atravessar a rua", e tu "vestias aquela langerie ousada", "massajavas-me os pés quando chegava cansada" e tu "escolhias me a camisa para o dia seguinte", "dizias que me amavas "e tu "que me adoravas", "fazias amor como se eu fosse uma deusa" e tu "fazias amor comigo como se eu fosse um deus". Passaram dez anos desde que se conheceram, mas parece que já passaram cem. O que será que mudou? As pequenas coisas que eram entendidas como Grandes coisas, ficaram perdidas na preguiça do dia a dia: "Estou cansado", "estou com stress" ,"não me apetece", passaram a ser as frases mais batidas. Cada um esgota-se na gestão do seu dia e quando chega a casa já perdeu o brilho, e só mesmo a Anatomia de grey ou Flash foward fazem esquecer o cansaço. Podia-se conversar na cama, fazer massagens um ao outro, contar anedotas parvas ou fazer sexo que nem uns doidos, mas isso dá muito trabalho. Tudo mudou, já não nos rimos um com o outro e já nao nos divirtimos como dantes. A vida é assim, nada a fazer ... Como? Ouvi bem? É assim que querem continuar? Que se lixe a resignação, a preguiça e a rotina. É preciso sair da zona de conforto traiçoeiro e fazer pela vida. Quem nao arrisca não petisca e, quem não petisca morre quadrado.Sexóloga
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