Violência escolar

Inquérito "urgente" para investigar os motivos que levaram professor ao suicídio

Publicado em 13 de Março de 2010   
Direcção Regional de Educação de Lisboa investiga as causas que levaram um professor de Sintra a atirar-se da ponte 25 de Abril
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A Direcção Regional de Educação de Lisboa instaurou um "inquérito urgente" para apurar o que terá motivado o suicídio de um professor da Escola Básica 2+3 de Fitares (Sintra), em meados de Fevereiro. A medida, anunciada ontem pelo Ministério da Educação, não tem ainda prazo de conclusão e pretende conhecer o "enquadramento do professor" na escola e os "eventuais acontecimentos" que antecederam a sua morte.

A notícia, publicada quinta-feira pelo jornal i, motivou também a visita do director regional de educação de Lisboa à escola básica de Fitares. José Joaquim Leitão reuniu-se com a direcção do agrupamento escolar de Sintra e, no final do encontro, explicou que o inquérito tem como objectivo ajudar a esclarecer se o suicídio do professor de música foi uma consequência de actos de indisciplina dos alunos.

Fica ainda por esclarecer, porém, se a direcção da escola avançou com os processos disciplinares após as queixas que terão sido feitas pelo docente. Segundo familiares e colegas do agrupamento de Fitares, o professor de música que se atirou da ponte 25 de Abril no dia 9 de Fevereiro apresentou pelo menos sete participações escritas à direcção da escola, alertando para o comportamento de um aluno em particular. Confrontada com esta questão, fonte do gabinete da ministra de Educação apenas revelou que no âmbito do inquérito "serão escrutinadas as questões consideradas relevantes para o apuramento da verdade".

O caso provocou ontem a concentração de alguns pais e encarregados de educação à entrada da escola básica que recusaram associar o suicídio do professor de música ao comportamento dos alunos. José Joaquim Leitão, da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), fez também questão de sublinhar a "fragilidade psicológica" do professor música e defendeu que, neste momento, são os alunos que têm de ser "objecto de atenção".

A par do inquérito, a DREL disponibilizou igualmente uma equipa de técnicos que está a articular com o estabelecimento de ensino o acompanhamento psicológico aos alunos: "Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Tratam-se de jovens que são na sua maioria bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa."

A ministra de Educação também apelou ontem à "serenidade e equilíbrio" no tratamento dos temas relacionados com a violência escolar. "Temos de pensar que a vida das crianças deve estar acima dos debates e das questões que são postas no dia-a-dia", disse Isabel Alçada à saída do Parlamento, defendendo que a tutela tem reforçado a autoridade e a capacidade de intervenção dos directores para que nas escolas "reine um ambiente de educação".


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