Economia

TAP. Greve mata o único período rentável do primeiro semestre

Publicado em 13 de Março de 2010   
A paralisação dos pilotos, apanhando os primeiros dias da semana da Páscoa, destrói um dos poucos meses em que a TAP tem lucro
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A greve de seis dias dos pilotos da TAP em plena semana da Páscoa vai destruir um dos poucos períodos rentáveis da companhia aérea ao longo do ano e o único nos primeiros seis meses. Mais do que os custos que a paralisação representa - até cinco milhões de euros por dia, caso a paralisação chegue aos 100% -, a greve dos pilotos vai ainda impedir a transportadora de ter um mês de contas positivas entre Janeiro e Junho.

Tomando o ano passado como referência - já que 2008 foi um ano atípico devido aos preços do petróleo - nota-se facilmente o impacto da Páscoa nas contas e no total de passageiros transportados pela TAP. Se em Janeiro, Fevereiro e Março a companhia aérea registou prejuízos de 3,7 milhões, 26,1 milhões e 23,2 milhões em cada um dos meses, respectivamente, em Abril o cenário foi o oposto. Com a semana da Páscoa a decorrer de 6 a 12 de Abril de 2009, a TAP conseguiu fechar o mês com um lucro de 8,7 milhões de euros. Depois, em Maio e Junho, os prejuízos mensais voltaram: 20,2 milhões e 5,9 milhões, respectivamente. A companhia aérea terminou o semestre com um prejuízo acumulado de 72,5 milhões de euros que, sem a Páscoa, teria superado os 81 milhões.

Este efeito no lucro da transportadora ocorre porque o mês da Páscoa é normalmente um dos mais procurados pelos passageiros da TAP, ficando atrás de Julho e Agosto. No ano passado, em Abril, voaram 737,1 mil pessoas na TAP, o valor mais alto de todo o primeiro semestre. Seguiu-se Maio, que registou menos 10% de procura, com um total de 665,1 mil passageiros. Os passageiros transportados em Abril só foram superados pelos totais conseguidos em Julho e Agosto, com mais de 850 mil passageiros em cada um desses meses. Este ano, contudo, e com a semana da Páscoa dividida entre os últimos dias de Março e os primeiros de Abril, o efeito no total de passageiros não se fará - ou faria, dependendo do avanço ou não da greve - sentir nos números de um único mês.

Até Junho não conta Os números dos primeiros semestres da TAP são sempre fechados em terreno negativo, mesmo nos melhores anos da empresa. Em 2007, por exemplo, a companhia aérea chegou a Junho com um prejuízo acumulado de 30 milhões de euros. Porém, como os meses fortes do Verão e do Natal estão todos na segunda metade do ano, Fernando Pinto conseguiu fechar 2007 com lucros de 32,8 milhões de euros. Nesse ano a TAP transportou 7,78 milhões de passageiros, contra os 8,73 milhões que diz ter transportado em 2008.

Em 2003, ano em que a TAP obteve um lucro de 19,7 milhões de euros, e transportou pouco menos de 5,6 milhões de pessoas, o cenário repetiu-se: até Junho a companhia aérea tinha perdido 35,5 milhões de euros, tendo depois revertido a trajectória de perdas.


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