Terrorismo

ETA pode ter uma base de operações em Portugal

Publicado em 13 de Março de 2010   
Pela primeira vez, Rui Pereira não nega a existência de forças da Euskadi em Portugal. Etarra detido na Portela em prisão preventiva
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"Não há indícios nenhuns do estabelecimento de uma base da ETA em Portugal." A garantia foi dada há precisamente dois meses e dois dias por Rui Pereira. Ontem, houve uma importante inflexão no discurso do ministro da Administração Interna: "Nunca se pode falar em certezas absolutas sobre presenças ou ausências de elementos com ligações a actividades terroristas." Pela primeira vez, ao admitir "trabalhar em todos os cenários possíveis", Rui Pereira não descarta a existência de uma célula da organização terrorista basca em Portugal. A reacção do ministro surge a reboque da detenção de Andoni Zengotitabengoa Fernández no aeroporto de Lisboa na noite de quinta-feira.

Fernandez, 30 anos, é um dos três alegados etarras suspeitos de tentarem estabelecer uma célula da Euskadi em Óbidos (ver texto ao lado), e acabou o dia a ser indiciado pelos crimes de adesão e apoio a actividades terroristas. Fernández fica em prisão preventiva e embora Madrid elogie a cooperação com Lisboa, as autoridades espanholas acreditam que a ETA terá mais refúgios em Portugal: só assim se pode explicar que Fernandez tenha conseguido fugir às autoridades desde 5 de Fevereiro.

Ao longo do dia de ontem, Andoni Fernandez foi interrogado sucessivamente pela Polícia Judiciária e pelo juiz Carlos Alexandre no Tribunal Central de Instrução Criminal mas o arguido não prestou qualquer depoimento. O Tribunal da Relação de Lisboa, para onde o processo segue agora sob a alçada do juiz Rui Gonçalves, já recebeu o mandado de detenção europeu contra Andoni Fernandez. Na noite de quinta-feira, e com um passaporte mexicano falso na mão, Andoni tentou embarcar num voo da TAP com destino à Venezuela. A ligação não é ocasional numa altura em que a magistratura espanhola suspeita do apoio de Hugo Chávez às FARC e à ETA.

Estrangulada entre Espanha e França, a organização separatista basca olha para Portugal como uma válvula de escape e há registo de operações em solo nacional desde 2007. Mais do que a vantagem geográfica, os etarras apostam na falta de recursos e experiência dos serviços de informação portugueses na luta ao terrorismo - comparativamente à comunidade de informações espanhola e francesa.


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