Sporting
Quando os caminhos deixaram de ir dar todos à baliza leonina
por Rui Pedro Silva, Publicado em 13 de Março de 2010
O Sporting era uma casa muito roubada mas há 491' que não sofre. A razão? Com Mendes e Veloso em simultâneo, há trancas na porta
Janeiro foi um mês de sucesso para Carlos Carvalhal. O Sporting estava numa onda de bons resultados e podia alcançar uma das melhores séries do clube leonino, apesar de em Fevereiro se anunciarem encontros difíceis com os rivais FC Porto e Benfica. E foi mesmo isso.
Com Rui Patrício na baliza, o Sporting encaixou cinco golos no Dragão (2-5) a 2 de Fevereiro e quatro em Alvalade frente ao Benfica, uma semana depois. O descalabro estava ali ao lado e a defesa leonina parecia demasiado permeável. A contratação de João Pereira não tinha surtido o efeito desejado, nem a atacar nem a defender, e o resto do plantel não conseguia alcançar a tranquilidade necessária para começar a construir uma equipa de trás para a frente, com estabilidade defensiva que permitisse aos médios e avançados procurar o golo com maior segurança.
A deslocação a Goodison Park, a 16 de Fevereiro, foi o ponto de viragem. Com uma distância irrecuperável no campeonato e humilhado perante os rivais na Taça de Portugal e na Taça da Liga, o Sporting jogava frente ao Everton o orgulho de continuar na única competição que ainda estava ao seu alcance, a Liga Europa. O começo dos ingleses, com dois golos nos primeiros 49 minutos, ainda assustou, mas desde as 19h04 desse dia que Rui Patrício não sofre golos.
Porquê? Carlos Carvalhal começou a utilizar Pedro Mendes e Miguel Veloso à frente da defesa. O internacional português contratado ao Rangers teve um início irregular em Alvalade mas, assim que começou a adaptar-se ao clube, subiu o rendimento e levou os companheiros consigo, a começar pelos laterais. O argentino Grimi, apesar da expulsão aos 31 minutos em Madrid, está a atravessar um dos melhores momentos da carreira em Alvalade, e até Abel, que supostamente seria relegado para o banco de suplentes por João Pereira, está mais solto a atacar e eficaz a defender.
Jogar em Madrid em inferioridade numérica confirmou a solidez defensiva dos leões, que apostam na proximidade e na cobertura defensiva para anular as ameaças dos adversários. As goleadas sofridas pertencem já ao mês passado e agora, com 491 minutos sem sofrer golos, Rui Patrício pode atingir a marca redonda das cinco centenas já no domingo, contra o Vitória de Guimarães. As aspirações do clube agradecem.
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