O Papa Bento XVI reafirmou hoje, no Vaticano, o carácter "sagrado" do celibato dos padres, num momento em que surgem novas denúncias sobre casos de pedofilia envolvendo membros da Igreja católica.
O celibato é "um sinal de consagração total ao Senhor e aos assuntos do Senhor, uma expressão da entrega a Deus e aos outros", declarou o Papa, durante uma audiência com participantes de uma convenção teológica subordinada ao tema "Fidelidade a Cristo, fidelidade do sacerdote".
Bento XVI reiterou ainda "o valor sagrado do celibato que, na Igreja católica, é um requisito obrigatório para a ordenação e encarado com grande consideração pelas Igrejas orientais".
As declarações do pontífice surgem após a divulgação nas últimas semanas de novos casos de pedofilia na Igreja católica europeia e no relançamento do debate sobre o celibato sacerdotal.
Sem "pôr em causa a regra" do celibato, o líder da Igreja austríaca, o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schonborn, considerou, durante a sua intervenção no encontro, ser "necessário" interrogar e analisar as razões destes atos de pedofilia, mencionando, entre outras razões, o celibato.
No mesmo encontro, o cardeal Cláudio Hummes, perfeito da Congregação para o clero, afirmou quinta feira que o "celibato sacerdotal é um dom do Espírito Santo que deve ser cumprido e vivido com uma plenitude de sentimento e alegria, numa ligação total com o Senhor".
À margem da mesma convenção, o bispo de Ratisbonne, Gerhard Ludwig Muller, cuja diocese também foi afetada por casos de pedofilia no seio do seu famoso coro, qualificou de "absurda" a hipótese de que o celibato dos sacerdotes possa ser a origem dos atos pedófilos cometidos pelos religiosos.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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