O alegado etarra Andoni Zengotitabengoa, um dos dois suspeitos em fuga depois da descoberta das instalações da ETA em Óbidos, foi detido esta noite no aeroporto de Lisboa, segundo fontes do governo espanhol.
“A informação das autoridades portuguesas é de que foi detido quando se preparava para viajar num voo com destino à Venezuela”, confirmou à Lusa fonte do Ministério do Interior espanhol.
A fonte, que disse não poder avançar com mais dados “de momento”, explicou apenas que Zengotitabengoa tinha “documentação falsa” na altura em que foi detido.
Segundo o listado da ANA, Aeroportos de Portugal, o único voo com destino a Caracas (capital da Venezuela) partiu do aeroporto da Portela, em Lisboa, às 16:41.
Esta notícia surge dias depois da intensa polémica lançada em Espanha depois do auto do juiz Eloy Velasco, da Audiência Nacional em Madrid, que referia indícios de cooperação do governo venezuelano com a ETA e as FARC.
Esse auto suscitou intensa polémica diplomática entre o governo espanhol e o governo venezuelano, tendo Moncloa pedido informações a Caracas, o que foi duramente criticado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Fotos de Andoni Zengotitabengoa tiradas pela câmara de vigilância de um supermercado em Portugal levaram as autoridades a relacioná-lo com a casa de Óbidos, que terá sido também usada por Oier Gómez Mielgo.
Os dois suspeitos, que se pensava terem já fugido de Portugal, teriam abandonado à pressa a casa de Óbidos, onde foram encontradas centenas de quilos de explosivos.
Ambos tinham pendentes, desde 2006, mandados de captura das autoridades espanholas, tendo Zengotitabengoa estado quatro meses detido antes de sair em liberdade condicional.
O presumível etarra foi condenado à revelia a uma pena de 13 anos de cadeia pela sua participação em vários atos de violência de rua (kale borroka) cometidos em 2000.
Em fevereiro último, o secretário geral do Sistema de Segurança Interna português, Mário Mendes, disse aos jornalistas que na casa de Óbidos apenas foram encontradas impressões digitais dos dois suspeitos.
Na altura, o responsável português precisou que não havia indicações sobre a forma como os dois fugiram e se houve ou não colaboração de outros elementos da ETA que os possam ter recolhido de carro.
A previsão é de que “muito provavelmente” já não estão em território português, disse na altura.
“Provavelmente terão saído do país. Aquilo foi uma fuga muito apressada. Tinham ideia de que tinham sido identificados e de que as autoridades estavam em cima deles”, afirmou.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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