Sporting. Madrid já não pode ver leões à frente
por Rui Pedro Silva, Publicado em 12 de Março de 2010
Sporting arranca um nulo importante depois de o Lyon ter eliminado o Real na véspera
A Plaza de Cibeles é um local histórico de Madrid e o Real gosta de lá fazer os festejos dos títulos. No entanto, tal como no monumento, há dois leões que estão a estragar os planos das equipas de Madrid. Na quarta- -feira, o Lyon de França eliminou o Real Madrid da Liga dos Campeões. Ontem os leões de Portugal levaram os adeptos do Atlético Madrid ao desespero com um nulo que deixa tudo em aberto para a segunda mão.
Não havia muito a descobrir sobre a forma como o Atlético Madrid ia jogar. Que o ataque é o melhor sector todos sabiam, até Carvalhal na conferência de imprensa. Depois só era precisa alguma atenção para desvendar a forma como a equipa se estenderia em campo. Além de uma defesa permeável, os madrilenos pecam pela falta de capacidade de construção de jogo pelo centro . Com Tiago de fora e Paulo Assunção e Raúl García a fazer dupla, a equipa estava ainda mais entregue à criatividade do ataque. Na esquerda, Simão teve dificuldades em entrar na partida e era brindado com assobios de cada vez que tocava na bola, enquanto Forlán se limitava a desempenhar a função de referência no ataque, jogando de costas para a baliza.
Os verdadeiros perigos vinham de Reyes e Agüero. O argentino apercebeu-se da incapacidade de Simão e começou a cair com mais insistência na ala. Numa das vezes, aos 25 minutos, criou a primeira jogada de perigo após passar vários jogadores leoninos e rematar em arco ao lado da baliza. Reyes, que no ano passado foi um quebra-cabeças para os leões de Alvalade, fez o que quis de Grimi, inclusive expulsá-lo em 31 minutos.
O Sporting entrou cauteloso em campo, bem apoiado atrás e tentando aproveitar o mínimo erro da defesa de Madrid. Perea, o colombiano que poderia ser uma ajuda, cedeu dois cantos aos 7 minutos antes de sair lesionado. O inevitável Liedson foi o primeiro a ameaçar De Gea . Pouco antes de meia hora de jogo, o internacional português antecipou-se ao marcador e rematou de pronto para a baliza. De Gea, adiantado, estava batido. Mas a bola embateu na barra.
A jogar com menos um, o Sporting limitou-se à tarefa que desempenham os leões na selva: proteger as crias. Deixando apenas Liedson na frente, a equipa de Carlos Carvalhal recuou em bloco e levou o Atlético ao desespero. Dentro e fora do campo. Agüero continuava a desequilibrar em jogadas individuais, mas, enquanto equipa, os madrilenos deixavam muito a desejar. Estar em superioridade numérica pouco importante porque tanto Paulo Assunção como Raúl García eram jogadores que não desequilibravam no ataque.
Encolhido e já sem garras, só mesmo Liedson tentava arranhar timidamente os defesas adversários, o Sporting tentou levar o nulo até ao final. Ujfalusi e Agüero estiveram perto do golo, mas começava a adivinhar--se que o marcador não ia sofrer alterações. À hora de jogo começou a dança das substituições. Carvalhal não quis cometer o mesmo erro com Veloso e, após um primeiro amarelo a jogar na esquerda, recolocou-o no meio e lançou Pedro Silva para a defesa. Onze minutos depois, aos 71', Quique Flores descobriu finalmente a pólvora e mexeu no centro do terreno, retirando o estático Raúl García para pôr o mais ofensivo Jurado.
A intenção era boa, mas o Sporting conseguiu resistir e nem mesmo a expulsão de Tonel, em cima do minuto 90, veio deitar o esforço por terra.
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