Pilotos da TAP marcam seis dias de greve para as férias da Páscoa
por Marta F. Reis, Publicado em 12 de Março de 2010
Ministério das Obras Públicas apela ao bom senso e sentido de responsabilidade dos pilotos. Não há rondas negociais agendadas entre a administração da TAP e o sindicato
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) não falou mais, depois do comunicado emitido às primeiras horas de quinta-feira, com um pré-aviso de greve para as férias da Páscoa - entre 26 e 31 de Março, das 00h00 do primeiro dia às 23h59 do último. Ao i, o gabinete do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações diz estar a acompanhar a situação com "preocupação", em articulação com administração da TAP. Fonte oficial adiantou, contudo, ter feito "um apelo aos pilotos em nome do bom senso e sentido de responsabilidade".
O aviso só chegou formalmente à empresa durante a tarde de ontem e até ao final do dia não havia nova ronda de negociações agendada. A decisão de greve foi aprovada em maioria numa assembleia-geral do SPAC e é justificada com um impasse nas negociações. O sindicato acusa a administração da TAP de "continuar a apropriar-se de uma fracção significativa do valor criado, desrespeitando o contributo e a dignidade profissional dos pilotos", e considera que há discriminação destes face aos demais trabalhadores na proposta de um aumento salarial de 1,8% - acordada apesar do congelamento na função pública.
Numa nota publicada a 1 de Março, o SPAC sustenta que, "ao contrário de todos os outros trabalhadores da empresa, os pilotos não foram aumentados em 2003 nem foram contemplados na distribuição de prémios em 2007". Sublinham ainda que, desde 2001, dão à empresa 9 milhões de euros por ano "ao abdicarem do crédito para férias e muitos milhões de euros mais, com os procedimentos operacionais que permitem uma redução efectiva de custos com o consumo de combustível".
Greve custa 30 milhões A greve em pleno período de férias vai custar à TAP 30 milhões de euros, o que deixa a empresa numa situação "muito difícil", adiantou o porta-voz, António Monteiro. "É um sindicato que ignora a realidade. A indústria dos transportes aéreos teve uma crise profunda que motivou o congelamento salarial em 2008 e 2009, mas em 2010 negociou-se já um aumento de 1,8%."
Ao final do dia, António Monteiro recusou comentar a crítica da companhia de low-cost irlandesa Ryanair, que voltou a utilizar a máxima "Quem é que ainda precisa dos pilotos da TAP?" num comunicado publicado online, no qual censura a paralisação - como já acontecera na greve de dois dias em Setembro do ano passado. "A TAP não vem para a praça pública comentar situações de outras companhias", disse o representante, considerando a atitude da concorrente "eticamente muito reprovável". Na nota escrita, o administrador da Ryanair, Daniel de Carvalho, considera "inacreditável que um pequeno grupo de pilotos ao serviço de uma companhia que já está em situação de falência técnica esteja agora a exigir aumentos salariais no período de recessão que se atravessa".
A Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo, lamentou também um "prejuízo enorme" e na "pior altura". O rótulo de inoportuna veio também da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA). Ontem o presidente Giovanni Bisignani disse não ser tempo para aumentar salários ou preços de serviços. "E não é de certeza tempo para greves", lamentou, sem referir nenhuma companhia em concreto, num sector em que os prejuízos este ano deverão chegar aos 2,05 mil milhões de euros.
Fora da paralisação dos pilotos ficarão as rotas para a Madeira, fez saber o sindicato, num "sinal de solidariedade" depois da catástrofe do dia 20 de Fevereiro.
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