Governo espanhol investiga falsas vítimas do 11 de Março

por Marta Cerqueira com Agência Lusa, Publicado em 12 de Março de 2010   
Trinta pessoas receberam milhares de euros do Estado fazendo-se passar por vítimas do atentado
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Recebeu nacionalidade espanhola, uma casa, milhares de euros do Estado. No entanto, não foi uma das vítimas do atentado ocorrido em Espanha a 11 de Março de 2004. Lorena Candelario, natural do Equador, é um dos 30 casos sob investigação de pessoas que foram reconhecidas como vítimas do mais grave atentado cometido em Espanha, mas que simularam toda a história.

O Ministério do Interior espanhol acredita que Lorena Candelario é uma falsa vítima e tenta agora recuperar o financiamento que lhe foi dado nos últimos seis anos. No dia 11 de Março, Lorena deu entrada num hospital de Barajas dizendo que viajava num dos quatro comboios atingidos. Queixava-se de dores nos ouvidos, mas o médico não encontrou qualquer lesão. Insatisfeita com o diagnóstico, dirigiu-se a outro hospital onde começaram as contradições: disse que não viajava no comboio mas estava numa plataforma. Desta vez queixava-se de dores de barriga. Conseguiu o que procurava: um diagnóstico de reacção ao stresse.

O diagnóstico abriu a porta à possibilidade de compensação enquanto vítima do atentado. Lorena conseguiu naturalidade espanhola, uma casa, uma pensão da segurança social por incapacidade e 900 euros por mês da Associação de Ajuda às Vítimas. As desconfianças começaram quando Lorena acusou o marido de violência doméstica e, em tribunal, ele reconheceu que apenas a repreendera, negando-se a testemunhar que Lorena fora uma das vítimas do 11 de Março. O caso é apenas uma das 30 possíveis burlas que o Ministério da Justiça investiga.


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