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Economia acaba 2009 a perder gás, mas é cedo para falar na palavra que começa por 'r'

Publicado em 12 de Março de 2010   
INE revê em ligeira baixa o desempenho final da economia em 2009 e abre risco de nova recessão. Economistas preferem falar de estagnação
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A economia portuguesa terminou os últimos três meses de 2009 a encolher a um ritmo de 0,2 pontos, invertendo a tendência de crescimento iniciada nos dois trimestres anteriores, mostram os dados ontem publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor, mais baixo do que previsto pelo INE há um mês, confirma que a actividade continua a cair, mas os economistas dizem que é cedo para falar em nova recessão - a economia bateu no fundo no ano passado e é aí que deverá ficar em 2010, estagnada, sem capacidade para criar emprego.

"A economia está a funcionar num patamar muito baixo e, por isso, é claro que arrisca novo crescimento negativo", explica Paula Carvalho, economista do Banco BPI. "Mas recessão é uma palavra muito forte: estamos a olhar sobretudo para um cenário de estagnação em níveis muito baixos", acrescenta a economista, que tem uma previsão de crescimento de 0,5% para Portugal em 2010.

O INE reviu em baixa as duas previsões de crescimento para o último trimestre: quer a variação face aos três meses anteriores (em cadeia, de 0% para -0,2%), quer a comparação com o mesmo trimestre no ano anterior (homóloga, de -0,8% para 1%). Os economistas lembram que a evolução em cadeia, embora útil para perceber a evolução, está perturbada por uma série de factores sazonais (exemplo: férias de Natal) e preferem concentrar-se na variação homóloga - olhando por este prisma, a economia caiu 1% no último trimestre do ano, menos do que os 2,5% do trimestre anterior. Por outras palavras: a actividade continua a cair, mas a um ritmo menor (ver gráfico).

"Não nos parece que a actividade tenha acelerado de forma muito relevante nos últimos meses, mas o número que todos esperamos ver é a primeira estimativa para o PIB no primeiro trimestre de 2010", aponta Filipe Garcia, economista da consultora IMF. "O objectivo de crescimento de 0,7% para este ano começa a parecer ambicioso", acrescentou.

Com o governo a apertar o défice, o consumo privado esmagado pela combinação desemprego/endividamento e o investimento sem sinais de recuperar da queda recorde de 2009 (-12,6%), recai sobre o terceiro motor, as exportações, o peso de conseguir os magros 0,7% de crescimento previstos para 2010 pelo governo. Aqui os dados ontem divulgados pelo INE deixam uma nota positiva: no período entre Novembro e Janeiro as exportações cresceram 2%, a primeira subida desde meados de 2008. Portugal fica sobretudo dependente do andamento dos seus principais parceiros comerciais - de Espanha, o principal, as notícias são negativas, mas os indicadores avançados da OCDE para França e Alemanha antecipam algum crescimento. Ontem, o Banco Central Europeu confirmou que espera uma recuperação moderada da zona euro (destino de 80% das exportações portuguesas).

Economia perde 3,9 mil milhões O fecho de contas do INE traça o retrato de 2009, ano da pior recessão desde 1975, materializada numa contração do PIB avaliada em 3,9 mil milhões de euros. A crise externa ampliou as debilidades estruturais portuguesas e teve um impacto transversal a toda a economia: as exportações caíram 11,6%, arrastando o investimento e o emprego. O impacto nos gastos das famílias, a maior fatia do consumo privado, foi inevitável (-0,8%), sendo apenas limitado pelo nível historicamente baixo dos juros.

No último trimestre o Natal deu alento ao consumo das famílias (que subiu 0,2%, aface aos 1,1% anteriores), mas foi pouco para conter a continuação do colapso do investimento e da procura externa. O INE justifica a ligeira revisão em baixa com novos dados sobre a contabilização das exportações.


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