PRIMEIRO PLANO
O congresso de Santana Lopes
Publicado em 12 de Março de 2010
Desde Cavaco Silva que o PSD tem sido um imenso cemitério de líderes, do irrequieto Marques Mendes ao instável Luís Filipe Menezes
Quando começar, amanhã, o congresso do PSD já tem um vencedor. Depois dos Óscares de Hollywood e dividindo as atenções com a ModaLisboa no Terreiro do Paço, o espectáculo a que vamos assistir durante este fim-de-semana em Mafra tem como principal maestro e intérprete Pedro Santana Lopes.
Honra lhe seja feita, foi Santana quem, contra tudo e contra - quase - todos, conseguiu marcar, antes das directas, esta "reunião magna do PPD/PSD", na expressão laranja tão cara aos seus apoiantes.
O homem a quem o velho amigo José Manuel Durão Barroso chamou em tempos "misto de Zandinga e Gabriel Alves" regressa à arena política preferida. Está de novo escrito nas estrelas que Santana Lopes vai entrar em acção.
O confronto entre Durão e Santana foi há uma década no 23.o Congresso, em Viseu. Se bem se lembra, o actual presidente da Comissão Europeia saiu vencedor em 2000, enquanto Marques Mendes e Santana Lopes ficavam pelo caminho.
Como reza a história, nada é definitivo no PSD, nem na vitória nem na derrota: apenas quatro anos depois, o tal "misto de Zandinga e Gabriel Alves" tornou-se primeiro-ministro pela mão de Durão Barroso.
Santana Lopes reconheceu ter sido vítima de erros próprios, mas as circunstâncias é que foram fatais. Pagou caro o erro de aceitar o cargo de primeiro--ministro por nomeação, mas já provou à saciedade que é um sobrevivente, um político com mais de sete vidas.
Em termos de resistência às adversidades, Santana Lopes só é comparável com Paulo Portas e José Sócrates. Com a diferença de ter sido obrigado a abandonar S. Bento por um milésimo do que já fez - ou foi acusado de fazer - o actual primei- ro-ministro. À imagem de Bill Clinton, Santana é o "comeback kid" português.
O passado não se repete, mas ninguém se irá admirar se o congresso deste fim-de-semana for dominado pelo Pedro dos velhos tempos. Santana Lopes sabe mais a dormir de política partidária do que Paulo Rangel, Passos Coelho e Aguiar-Branco juntos e acordados.
É essa a grande diferença entre o PSD e o PS: a imprevisibilidade laranja contrasta com alguma monotonia rosa. Só em número de congressos, de 1974 aos nossos dias, os sociais-democratas batem os socialistas por 32 a 26. Dez anos e nove congressos depois de Durão Barroso ser eleito, o PSD encontra-se outra vez na encruzilhada entre eternizar-se na oposição e conquistar o poder.
Desde Cavaco Silva que o PSD tem sido um imenso cemitério de líderes, do irrequieto Marques Mendes ao instável Luís Filipe Menezes. O 32.o congresso laranja pode ajudar a antecipar a vitória do líder que será o próximo primeiro-ministro de Portugal no lugar de José Sócrates. Ou não. É mais difícil prever o futuro próximo do partido de Sá Carneiro que acertar no euromilhões.
Jornalista
Escreve à sexta-feira
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: O congresso de Santana Lopes
Actividade em ionline