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Cosey, suíço tranquilo

por Cristóvão Gomes, Publicado em 12 de Março de 2010   
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A HERANÇA de Hugo Pratt foi de tal ordem que até na neutral Suíça houve quem escolhesse um lado. Bernard Cosandey - Cosey no mundo da BD -, nascido em Lausanne em 1950, viu em Corto Maltese a maneira de contar a sua história. Encontrou encorajamento junto de um vizinho, Derib, na altura o único suíço na BD. Acabou a ajudá-lo, colorindo séries como "Yakari" ou "Go West!". Começou aí uma relação de fascínio com as cores que levaria Cosey a dizer que só desenhava para poder colorir. Em 1975 publica na revista "Tintin" a primeira história de Jonathan. O seu personagem era uma variação do marinheiro de Malta, mais contemplativo e místico, mas com o mesmo ar alheado do mundo e dos homens. Em 1984, com a publicação de "À La Recherche de Peter Pan", inicia uma revolução que há- -de mostrá-lo como um dos mais originais autores da BD. Desde essa altura que subverte as regras que a BD construiu para si. Antes de mais, o valor do desenho. Ao permitir que cada prancha valesse por si, contando uma história dentro de outra história, Cosey pôs em causa a distinção entre a BD e as artes plásticas. Depois a estrutura narrativa. Em "Saigon-Hanoi" a história é dada em relatos paralelos. Juntos contam uma história, separados outra. Em "Zeke raconte des histoires", as narrativas invadem-se, perturbando a compreensão da história principal. No fundo o que Cosey sempre fez foi procurar. Os seus personagens buscam sempre alguém ou alguma coisa. O autor procura sempre uma outra forma de contar uma história. A sua.


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