Dinheiro
Carlos: dono de um império nada slim
Publicado em 12 de Março de 2010
A história do homem mais rico do mundo na lista da "Forbes". Portugueses, só Amorim e Belmiro
O gosto pelas tortihas de queijo e chile relleno contribui para uma aparência corpulenta, nada condizente com o seu nome. Slim (fino, em inglês) é palavra que não assenta bem: nem a Carlos nem ao seu império.
Aos 70 anos, o mexicano Carlos Slim foi coroado como homem mais rico do mundo, segundo a revista norte-americana "Forbes", com uma fortuna avaliada em 53,5 mil milhões de dólares (39,15 mil milhões de euros) - e isto depois de ter perdido 25 mil milhões de dólares com a crise. No seu portfolio constam mais de 200 companhias, com presença em quase todas as áreas de negócio: telecoms, banca, turismo, cigarros, caminhos de ferro, indústria mineira e construção civil. Talvez por isso há quem diga ser impossível estar no México um dia sem lhe dar dinheiro a ganhar.
Filho de um emigrante libanês que montou uma mercearia - "A Estrela do Oriente" - na baixa da Cidade do México no início do século XX, Carlos nunca esqueceu as origens humildes. Quem o conhece diz que "no trato pessoal ninguém diria estar perante o homem mais rico do mundo". Genial, simpático, culto e com apurado sentido de humor, Slim cultiva uma certa frugalidade. Não dispensa as gravatas do seu próprio grupo de retalho mesmo nas reuniões mais importantes, andou anos a fio com o mesmo relógio de plástico que também servia de calculadora, e tem uma casa com "apenas" seis quartos e uma piscina - uma pechincha se comparada com as mansões dos seus colegas milionários da lista da "Forbes".
Homo Negócios Inspirado por um artigo da "Playboy" sobre o multimilionário americano Jean Paul Getty, Slim começa a investir em certificados de aforro aos 11 anos e aos 15 negociava acções do Banco Nacional do México. Aos 26 anos, e licenciado em engenharia, já tinha 40 milhões de dólares na conta. Mas os anos que mudariam a sua vida estavam para chegar. Em 1981 compra a Cigatam, segunda maior tabaqueira do México, que lhe daria poder de fogo financeiro para, em 1982, atacar um mercado em recessão e apavorado com as nacionalizações na banca. A assertividade negocial, filosofia de risco, capacidade de decisão e sentido de oportunidade de Carlos revelar-se-iam em compras massivas de empresas a preço de saldo - escusado será dizer que lhe valeram um retorno multimilionário. Em 1990 toma conta da Telmex, a telecom mexicana, e em 2000 funda a América Móvil - a maior operadora móvel da América Latina. Agora, o seu faro para o negócio faz com que aposte nos conteúdos (tem investimentos no "The New York Times" e no "Independent") e na globalização da Telmex. Esse mesmo faro que o fez comprar uma participação de 5% na Portugal Telecom tendo estado, em 2006, ao lado de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro contra a OPA da Sonae. Por falar em Sonae, Belmiro de Azevedo é um dos dois representantes portugueses na lista dos 1011 magnatas globais com mais de mil milhões de dólares. Tem 1,1 mil milhões de euros que lhe valem o 665º lugar. Mais acima, lugar 212, está o português mais rico: Américo de Amorim, com três mil milhões de euros.
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