O psicólogo Jorge Negreiros considerou hoje que a professora de Espinho suspensa por alegadas alusões a orgias sexuais numa sala de aula "pode não ter inteiramente culpa" da situação, mas "talvez um sistema que não faculta formação necessária".
O professor na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto sublinhou conhecer o caso apenas pela comunicação social, mas admitiu que a professora possa "ter ultrapassado as marcas" na abordagem de um assunto "delicado e complexo" e sobre o qual os professores "não têm a formação mais adequada".
Uma professora da Escola Básica 2,3 Sá Couto, de Espinho, está suspensa e enfrenta um processo disciplinar na sequência de alegadas alusões a orgias sexuais, durante uma aula, gravadas em áudio por uma aluna.
A presidente do Conselho Executivo da escola, Noémia Brogueira, disse hoje à Lusa que adoptou aqueles procedimento na sequência das queixas que recebeu "recentemente" de duas encarregadas de educação de alunas da turma.
Jorge Negreiros acrescentou que a professora deveria ter-se rodeado de "grandes precauções" e só o inquérito demonstrará se foi "suficientemente profissional, no sentido de salvaguardar um tipo de linguagem e abordagem que pudessem ser ofensivos para os adolescentes".
"Os professores precisam de muita formação nesta área e provavelmente a culpa não será inteiramente desta professora, mas talvez de um sistema que não faculta a formação necessária para abordar estas questões", afirmou ainda à Lusa.
Defensor da educação sexual nas escolas, o psicólogo insistiu na necessidade de formação específica, que quando não existe leva a que os professores sintam "dificuldades e problemas normais" e a "situações extremas como a noticiada".
Sobre efeitos futuros nos alunos, o professor catedrático "não está convencido" que a situação tenha "efeitos traumáticos indeléveis nessas crianças".
"Provavelmente não irão recordar essas intervenções, nem as irão marcar para o resto da vida. Em todo o caso, a delicadeza e a complexidade da questão devia levar o professor a pensar melhor antes de abordar estes temas, sobretudo com jovens que estão num período de desenvolvimento tão sensível como este dos 12/13 anos", acrescentou.
Nesta idade, os pré-adolescentes têm "características muito especiais de estabelecimento da própria identidade, o jovem ainda não sabe o que é, o que quer ser e como se estruturar enquanto pessoa".
"Enquanto adultos o que lhe podemos dizer vai ter uma influência decisiva depois na forma como o jovem vai incorporar isso na sua identidade. Mas esperemos que não tenha sido nada de grave", concluiu.




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