Dois meses após o sismo que abalou o Haiti, a situação é "mais calma" e as necessidades mudaram. Da fase de emergência e hospitalar passou-se para o acompanhamento dos campos de deslocados.
"As necessidades neste momento passam por garantir que as populações deslocadas continuam a ter acesso aos bens essenciais, ao nível da saúde, comida, proteção, segurança e educação", disse à Agência Lusa a técnica do departamento internacional da Assistência Médica Internacional (AMI), Marta Andrade.
A 12 de janeiro, um terramoto de 7,3 de magnitude na escala de Richter atingiu a capital haitiana e causou cerca de 222 500 mortos e afetou 3,5 milhões de pessoas. Estima-se que 60 por cento dos edifícios de Port-au-Prince, muitos dos quais estruturas de serviço público (escolas e hospitais), tenham sido destruídos.
Segundo Marta Andrade, que esteve no Haiti integrada na missão portuguesa de apoio às vítimas do terramoto, a situação "é agora mais calma" e as "necessidades já não são as mesmas do primeiro mês" após o sismo.
Continua a existir "necessidades" ao nível da saúde, alimentar, educação e abrigos, mas elas "mudaram", afirmou.
"Neste momento, ao nível de cooperação internacional e ajuda humanitária, estamos na fase de transição entre a primeira parte, que foi a emergência cirúrgica e hospitalar, para uma fase de acompanhamento dos campos de deslocados e um trabalho de coordenação entre as várias equipas que ainda estão no Haiti", explicou.
De acordo com a portuguesa, a ajuda humanitária tem agora como finalidade "garantir o acompanhamento das populações deslocadas até que elas consigam sair dos campos até às suas casas ou para outras".
A AMI, que está no Haiti desde 18 de janeiro, tem neste momento no terreno cinco pessoas: dois médicos, dois enfermeiros e uma coordenadora de projetos. A equipa está a coordenar as ações humanitárias no campo de Parc Colofé, montado pela Protecção Civil portuguesa.
Desde quarta feira que a organização portuguesa coordena mais três campos de deslocados: Henfrasa, Palais d´Art e Simmonds.
Foi a Organização Internacional das Migrações (OIM) que delegou à AMI a responsabilidade de coordenar as actividades humanitárias naqueles campos de refugiados,
A Organização Não Governamental portuguesa passa agora ter ao seu cargo 3111 famílias, num total de 17 179 pessoas. Além dos serviços médicos, a AMI vai coordenar, até junho, as actividades que dizem respeito ao saneamento, água e alimentação.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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