Espanha: vítimas do 11 de Março exigem "toda a verdade"

Publicado em 11 de Março de 2010   
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Esclarecer todas as implicações do atentado e continuar a fornecer apoio às vítimas permanecem as principais preocupações da Associação de Ajuda às Vítimas do 11-M (AV11-M), quando se celebra o sexto aniversário dos atentados de Atocha, em Madrid.

Ángeles Domínguez Herguedas, presidente da AV11-M viajava na sexta composição de um dos comboios alvo dos atentados organizados por uma célula local da al-Qaida, que provocaram 191 mortos e mais de 1.800 feridos.

"Enquanto não for feita justiça e não estiverem esclarecidas todas as questões, pode voltar a acontecer outro 11-M. Se o atentado não for totalmente esclarecido, a democracia em Espanha vai permanecer sequestrada", referiu Ángeles Herguedas em declarações por telefone à Lusa.

O "desconhecimento da verdade" permanece umas das principais questões que ainda perturba as vítimas, um aspeto que importa esclarecer "para aprendermos a continuar a viver", sustenta.

Uma das principais exigências da Associação consiste em determinar o tipo de explosivo utilizado. A versão oficial refere-se a Goma 2 eco, mas segundo Ángeles Herguedas os vídeos analisados e recentes investigações dos peritos terão detetado vestígios de nitroglicerina, com efeitos mais devastadores. "Queremos saber a verdade. Não queremos que este atentado se repita, ou seja exportado para outros países" sublinha.

Seis anos após o devastador atentado, e que contribuiu para a derrota eleitoral do conservador Partido Popular de José María Aznar, a responsável da Associação reconhece que a maioria das sequelas físicas das vítimas são menos visíveis, mas ainda prevalecem os efeitos psicológicos.

"A maioria das vítimas do 11-M é imigrante e tem problemas acrescidos. Primeiro, são forçados a demonstrar que são vítimas, depois quase todos tinham um trabalho precário e enfrentam uma situação muito complexa, estão em pior situação que as vítimas espanholas", assegura.

No entanto, permanece o apoio por parte de diversas estruturas sociais, incluindo pessoal médico e psicólogos.

A presidente da AV11-M critica a forma como o apoio foi concedido. "Em vez de analisarem caso por caso, colocaram-nos num grupo com vários níveis. O primeiro nível são os falecidos e os restantes níveis dependem das sequelas. Mas considero que seria muito melhor tratar as pessoas individualmente. É uma forma de aligeirar a situação".

Ángeles Domínguez Herguedas também censura os apoios materiais às vítimas. "As indemnizações foram muito baixas. No meu caso fui operada duas vezes e estive de baixa 532 dias, mas o Ministério do Interior apenas reconheceu 173 dias. É um exemplo, mas extensível à maioria das vítimas".

Para hoje, a AV11-M prepara uma celebração na Porta do Sol, centro de Madrid, que pretende ser dirigida para as gerações mais jovens. A Associação também estará presente numa cerimónia em Bruxelas, no âmbito da atual presidência espanhola da União Europeia.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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