O motor da economia está gripado. Crise reduz potencial de crescimento

por Nuno Aguiar, Publicado em 11 de Março de 2010   
Segundo as estimativas da OCDE as economias mais desenvolvidas não regressarão tão cedo a níveis robustos de crescimento
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A recuperação da crise económica já foi anunciada há meses. No entanto, os seus efeitos vão continuar a fazer-se sentir durante mais algum tempo, nomeadamente em Portugal. Segundo as estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a crise produziu um corte a longo prazo de 2,7% no potencial de crescimento da economia portuguesa.

As contas são explicadas no relatório "Going for Growth", publicado ontem pela OCDE. Apesar de o pior da crise já ter passado, a economia continua com dificuldades em arrancar. Nos próximos tempos, Portugal dificilmente regressará a níveis de crescimento robustos e o desemprego deverá continuar elevado.

"Apesar de o pior ter sido evitado, as experiências anteriores com crises financeiras indicam que não é provável que o PIB e os níveis de rendimento regressem em pouco tempo ao caminho projectado inicialmente", pode ler-se no relatório da organização.

O caso português nem sequer é um dos piores. Em média, os países da OCDE verão o seu crescimento amputado mais de 3%. A diferença está na fragilidade estrutural da economia portuguesa. A situação torna-se mais preocupante para um país que já registava crescimentos anémicos ainda antes da explosão da crise financeira.

"Com um crescimento médio de 0,8% até 2008, a economia portuguesa já era muito frágil antes da crise económica", afirma João Cantiga Esteves, professor de Finanças do ISEG. "A OCDE diz claramente que o motor da economia está gripado."

A OCDE refere dois factores responsáveis por este corte no crescimento das economias mais desenvolvidas. Dois terços desta queda estão relacionados com o aumento dos custos de capital. Isto é, quedas drásticas de investimentos que reflectem uma dificuldade acrescida no acesso ao crédito. A economia carrega no botão Rewind e regressa a um comportamento de maior aversão ao risco que caracterizou o período pré-2000, antes do boom da concessão de crédito.

O restante terço é da responsabilidade da queda do emprego potencial, que tem como principal causa o aumento do desemprego estrutural provocado pela crise. Num cenário a longo prazo a OCDE projecta um corte de 1,2% do potencial de emprego para Portugal.


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