Manutenção da TAP dá lucros em Portugal e prejuízos no Brasil

Publicado em 11 de Março de 2010   
Capitais próprios negativos ascendiam a 304 milhões em Setembro. Pilotos discutiram recurso à greve no final de Março pela noite fora
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Os pilotos da TAP estiveram ontem reunidos várias horas a discutir o recurso a uma greve de seis dias, num encontro que se prolongou pela noite fora. Em cima da mesa esteve uma paralisação no final de Março e início de Abril por causa da negociação do acordo de empresa. A deterioração das contas da TAP, fruto das "opções estratégicas desta administração", tem sido a principal crítica dos pilotos a Fernando Pinto, num momento em que a situação da falência técnica da empresa se agrava todos os meses.

Segundo um relatório da companhia aérea, a que o i teve acesso, a TAP chegou a Setembro de 2009 com os capitais próprios negativos em mais de 304 milhões de euros, valor que compara com os 234 milhões com que fechou 2008, de acordo com as normas contabilísticas POC. "O capital próprio diminuiu em 69,9 milhões, consequência dos resultados transitados do resultado líquido, dos ajustamentos", assume o relatório. Ao i, a TAP remeteu comentários para a apresentação das contas de 2009.

Nos primeiros nove meses do ano passado, segundo o mesmo relatório, o ramo de transporte aéreo da TAP deu à empresa 59,6 milhões de euros de lucro, ainda que a Portugália tenha registado uma perda de 4,1 milhões. Estes 59,6 milhões de lucro, contudo, foram anulados pelos outros negócios da empresa e pelos resultados financeiros. O ramo de manutenção fechou esse período com um prejuízo de 36,1 milhões de euros, isto apesar dos 10,5 milhões de lucro que a operação portuguesa deu.

Já no Brasil, a manutenção (M&E Brasil, ex-VEM) duplicou os prejuízos até Setembro de 2009, face ao mesmo período de 2008. A M&E Brasil registou uma perda de 46,69 milhões de euros, valor que compara com os 23,6 milhões de prejuízo registado até Setembro de 2008. A nível operacional a evolução foi pior. Se até Setembro de 2008 a ex-VEM registou perdas operacionais de 13,8 milhões, no ano passado estas perdas saltaram para os 32 milhões de euros até Setembro. Questionada, a TAP apontou que a manutenção foi "integrada numa única organização" em Abril, "o que teve como consequência a criação de estruturas comuns (...) permitindo uma melhor e mais harmoniosa utilização de toda a capacidade instalada", razão pela qual "nos últimos meses a M&E Brasil teve um assinalável aumento da actividade o que, conjugado com a negociação da dívida fiscal no Brasil, permite prever um resultado perto do equilíbrio".

Entre Janeiro e Setembro de 2009, os proveitos da ex-VEM caíram 41%, ao passo que os custos caíram 28,7%, ainda que os custos com pessoal tenham subido 1,2%. Como o i noticiou, o Comité de Reestruturação da TAP deu seis meses à empresa para apresentar resultados sobre a aposta no Brasil.

No total, e até Setembro, a TAP facturou menos 210 milhões de euros - uma quebra de 12,2% - e viu os custos recuarem 20,1%, graças à queda no consumo e no preço do petróleo. Já nos resultados financeiros, a TAP fechou os primeiros nove meses de 2009 com um prejuízo de 41,6 milhões de euros. A autonomia financeira da TAP era, em Setembro, de -14,8%.

TarifA a pique Em 2009 a TAP viu a tarifa média cobrada cair de 198 para 187 euros, segundo números a que o i teve acesso. A companhia não confirmou, mas admitiu a quebra nos preços. A TAP previa conseguir uma média de 212 euros/bilhete em 2009. Apesar da redução, a companhia não conseguiu taxas de ocupação ao nível da média europeia.


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