Dívida: no primeiro leilão pós-PEC a procura superou a oferta
por Nuno Aguiar, Publicado em 11 de Março de 2010
Mercados reagiram bem ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) apresentado pelo governo
Portugal conseguiu ultrapassar mais um teste junto dos mercados. O primeiro leilão de Obrigações do Tesouro pós-apresentação do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) teve um procura muito forte, deixando boas indi- cações em relação à dívida portuguesa.
"Correu muito bem", adiantou ao i Alberto Soares, presidente do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), entidade que gere a dívida portuguesa. "As condições foram boas e a procura foi 1,6 vezes superior à oferta."
Inicialmente estava prevista uma emissão de apenas 750 milhões de euros, mas confrontado com uma procura de 1.580 milhões, o IGCP decidiu aumentar a oferta para 990 milhões de euros, aproveitando também os juros mais baixos que terá de pagar.
O Estado português irá pagar um juro anual de 4,17% por esta emissão de dívida, com maturidade em Abril de 2021. Na último leilão, feito a 10 de Fevereiro deste ano, o juro a pagar estava nos 4,8%, para uma emissão bem superior (3 mil milhões de euros).
No que diz respeito à procura, a emissão de ontem esteve em linha com as anteriores, embora ligeiramente inferior.
O sucesso da operação pode indicar que os mercados financeiros irão aliviar a pressão sobre Portugal a curto prazo, depois de o terem colocado no mesmo grupo que a Grécia. Alberto Soares concorda que as águas estão agora mais calmas. "O mercado tem dado indícios de maior estabilidade", afirmou.
Wilson Chin, analista da ING vê no resultado da emissão de como um atestado de boa saúde da dívida pública, permitindo maior confiança em relação à dívida portuguesa. "Não há dúvida que existem desafios para o futuro e Portugal dará o seu melhor para provar que não é "uma" Grécia", disse à Bloomberg.
Pós-PEC A emissão de dívida foi feita apenas dois dias depois de o ministro das Finanças das Finanças ter apresentado o PEC. O facto de ter corrido bem, foi um teste importante para a percepção internacional que os mercados têm de Portugal. Caso falhasse, poderia ser um sinal de que os mercados não achavam que as medidas inscritas no PEC são suficientes para resolver os problemas do país.
"Permite concluir que, pelo menos, não teve um impacto negativo. O mercado acolheu bem as notícias relacionadas com o PEC", assegurou Alberto Soares.
O sucesso de ontem foi também uma reacção a um novo aviso por parte da agência de rating Fitch, que ameaçou cortar o rating de Portugal caso o programa de consolidação orçamental seja considerado "insuficiente".
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