O Dalai Lama acusou hoje a China de tentar "aniquilar o budismo" no Tibete, rejeitando todos os seus esforços para alcançar um compromisso sobre o conflito que se arrasta naquela região dos Himalaias.
A China respondeu, acusando o líder espiritual de usar enganos e mentiras para distorcer a sua política na região, numa troca de palavras que aumenta a desconfiança, a revolta e a frustração que separa as duas partes e que deixa pouca esperança para o sucesso das recentes conversações.
Pequim acusou o Dalai Lama de querer a independência do Tibete, que a China reclama como parte do seu território.
O líder espiritual ripostou, afirmando que pretende apenas uma forma de autonomia para o Tibete, integrado na China, que permita o desenvolvimento da cultura, da língua e da religião dos tibetanos.
O Dalai Lama falava hoje num encontro que marcava os aniversários das duas tentativas falhadas de insurreição contra a China, uma há 51 anos, que obrigou ao exílio do líder espiritual na Índia, e outra há dois anos, que foi anulada pelo governo chinês.
O Dalai Lama acusou as autoridades de conduzirem uma campanha de "reeducação patriótica" nos mosteiros do Tibete. "Estão a pôr os monges e as freiras em condições de prisão, privando-os da oportunidade de estudarem e de praticarem a paz", afirmou, acusando a China de trabalhar "deliberadamente para aniquilar o budismo".
O Dalai Lama afirmou que "quer o governo chinês o reconheça ou não, existe um sério problema no Tibete". No entanto, as tentativas de diálogo com a China sobre uma autonomia limitada daquela região não têm tido resultados.
"A julgar pela atitude do atual governo chinês, há pouca esperança em alcançar um resultado em breve. Mas a nossa vontade de continuar com o diálogo continua inalterada", afirmou o líder espiritual, perante centenas de tibetanos reunidos num templo em Dharmsala, na Índia.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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