O Presidente da República garantiu hoje que um negócio como o da PT/TVI teria de ser do conhecimento prévio do Governo, no seu tempo como primeiro-ministro, revela em entrevista à Judite de Sousa. Cavaco Silva disse, no entanto, que espera que a "Assembleia da República faça o que entende" para que a verdade seja esclarecida.
"A honra é uma coisa que o Presidente da República deve defender, mesmo que em prejuízo de si mesmo", disse Cavaco.
"A dissolução do parlamento deve ocorrer em situações excepcionais. É uma bomba atómica", disse Cavaco Silva, em entrevista à RTP. Numa altura em que o Presidente da República cumpre quatro anos de governação, Cavaco sublinhou que pode demitir o governo, mas não "pode demitir o primeiro-ministro".
"Houve eleições em Portugal há cinco meses. Reuni com todos os partidos disseram que devia ser o Partido Socialista a formar governo. Nenhum partiodo apresentou uma moção de censura ao governo e o governo não perdeu a confiança na Assembleia da República", reafirmou Cavaco Silva, recusando a dissolução do parlamento.
"Espero que esses processos façam o seu caminho, que as responsabilidades sejam apuradas e que provem no fim, que ninguém estã acima da lei", disse Cavaco, em entrevista no palácio de Belém.
Sobre o PEC, Cavaco não tem dúvidas: "só saberemos se é eficaz quando conhecermos a versão final", afirmou.
O Presidente da República disse que o desemprego é um problema que preocupa a maioria da população portuguesa, afirmando que cerca de 20% dos jovens "estão desempregados".
"Se não tivesse condições, a Assembleia já teria agido",
"Entendo que todos os governos devem terminar o seu mandato", disse, acrescentando que todos os governos "devem reafirmar as condições de governabilidade do país", aconselhando um "diálogo persistente e tendo em conta as preocupações" nacionais.
"O presidente da república está sempre atento mas numa situação como esta deve atender às situações que preocupam", disse, referindo-se à minoria governativa.
"Os inquéritos de opinião revelam que há um desafio de credibilidade na justiça portuguesa", afirmou o Presidente da República.
Quanto a uma eventual recandidatura, Cavaco disse que a sua preocupação actual não passa por esse âmbito: "Vou mandar verificar quando é que os meus antecessores fizeram essa ponderação", respondeu.
Veja aqui os comentários que foram feitos durante a entrevista




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